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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A missão espiritual dos empresários

À medida que a pessoa aumenta seu nível ou grau de poder também aumenta sua responsabilidade com a espiritualidade. O poder, seja ele de que natureza for, traz consigo um compromisso obrigatório e tácito para com a sociedade, compromisso este que lhe será cobrado de alguma forma, algum dia, em alguma circunstância.

Um empresário seja ele pequeno, médio ou grande, e até mesmo os executivos, tem uma missão espiritual muito importante. Esta missão hoje recebe uma leitura moderna com o nome de responsabilidade social.

Assim como um político governante, o empresário tem sob seu compromisso social a vida de diversas pessoas. Mais do que simples mão-de-obra, ou recursos humanos, ele tem pessoas sob sua direção. Não são robôs, mas sim seres dotados de sonhos, expectativas, necessidades, sentimentos, como ele próprio.

Porém, mais do que seus funcionários, os empresários têm sob sua responsabilidade outras pessoas, ele tem famílias que dependem de sua empresa para o sustento. Muito mais do que o sustento, um emprego é sinônimo de dignidade para o trabalhador, uma forma desta pessoa exercitar seu lado útil à sociedade. Com um emprego a pessoa sai da marginalidade, deixa de ser um peso morto, um simples parasita. O sentimento de se ter um emprego injeta na alma esperança quanto ao futuro, entusiasmo pela vida e confiança em si mesmo.

O empresário além de pagar os salários aos funcionários também cumpre a sagrada missão de oferecer para a sociedade produtos e serviços que ela necessita. Cada vez mais estamos acostumados a utilizar produtos industrializados e que seriam impossíveis de obter de forma artesanal. Aliás, se fôssemos fazer artesanalmente tudo o que consumimos não teríamos tempo para a tarefa e muito menos para trabalhar contribuindo com as outras pessoas.



O emprego oferecido pelo empresário incute esperança e confiança em seus funcionários, que levam para seus lares estes sentimentos, sustentando a qualidade de vida de todos, até mesmo dos animais domésticos que lá habitam. Além disso, os salários pagos injetam recursos no mercado, beneficiando a economia ao fazer o dinheiro circular. A concentração de renda é péssima para a economia e para a qualidade de vida da sociedade. O investimento de grandes somas de dinheiro no mercado financeiro ou com a aquisição de imóveis retira dinheiro de circulação, prejudicando demais a sociedade.

Se o dinheiro está circulando, o operário compra uma pipoca, o pipoqueiro compra uma roupa, o comerciante paga seu fornecedor que paga seu representante, este representante paga o hotel, o dono do hotel paga o açougue e o açougueiro compra um jornal. O dono da banca de jornal compra um caderno para o filho estudar e a loja paga o distribuidor que paga a indústria que paga o operário. Assim, o mesmo dinheiro circulando volta para as mãos do operário e todos se beneficiam. Quando alguém pega este dinheiro e guarda de alguma forma, rompe com esta cadeia.

Por trás da oferta de emprego está a grande missão do empresário: oferecer dignidade para profissionais, contribuir para a qualidade de vida de famílias, injetar esperança e entusiasmo nas pessoas, produzir bens e produtos que a sociedade necessita e ajudar para a saúde da economia de sua região.

Desta forma, o empresário se assemelha a um pai que tem sob sua guarda as almas de seus funcionários de suas família. Uma decisão empresarial não deve ser tomada apenas considerando o aspecto financeiro da questão, mas também no aspecto econômico, social e espiritual. A má gestão organizacional ou a exploração da chamada mão-de-obra será cobrada do empresário, algum dia, em algum momento.

A espiritualidade não se exerce dentro de templos. Nestes locais nos reunimos regularmente para nos lembrarmos de nossos laços e compromissos. Porém, a espiritualidade é algo que devemos vivenciar plenamente na rotina de nosso dia-a-dia, no exercício de nossas atividades profissionais, sociais, afetivas e familiares.

Afinal, o espírito não se limita a um local, mas vibra intensamente no âmago do ser humano e partindo do coração, é canalizado pelas mãos que abençoam tudo que tocam, inclusive produtos e o dinheiro.


É assim que o trabalhador abençoa o “pão nosso de cada dia”.
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