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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

O Amor como fator de desenvolvimento

O Amor como fator de desenvolvimento


Muito mais do que uma expressão bonita e politicamente correta, o amor é explicado pela Astrologia como um importante processo para a ressignificação psíquica da vida do indivíduo e sua realização

Pode parecer anacrônico se posicionar a favor do amor, em tese um conceito aparentemente falido, que está com seus dias contados. Principalmente se considerarmos que estamos na alvorada da Era de Aquários, rumo à liberdade e à integração de nossos costumes com a prática da “ficância” (me perdoem o neologismo). Nada contra a “ficância”, ou seja, a prática de se unir temporária ou momentaneamente à outra pessoa para um namoro mais íntimo, porém sem compromisso ou vínculo maior. Ao contrário, a meu ver a atual prática adolescente de se “ficar” me parece salutar no sentido da pessoa se permitir experimentar conhecer o outro e a si mesma de forma mais profunda e intensa, mas sem a obrigação de vínculo ou permanência. Afinal, o que é um namoro senão um “teste” de compatibilidade? Por que exigir um juramento eterno de união entre duas pessoas que não se conhecem e nem sabem se de fato serão felizes juntos?


Mas, por “amor” aqui não me refiro ao simulacro, a um simples e vazio jogo de palavras. Amor aqui é a decisão de se unir a outra pessoa porque se quer e se sente uma profunda identificação com o outro, não porque é necessário, porque a família quer, porque é melhor para a sociedade, porque se busca segurança ou realização financeira ou social. Hoje usa-se a palavra amor com um forte egoísmo escondido, buscando-se apenas o próprio prazer ou satisfação. O verdadeiro amor é doação, entrega, é o oposto do que muitos apregoam.

Costumo explicar para as pessoas que para se encontrar o outro é necessário primeiro que se encontrar. Para saber quem ou o que nos dará prazer ou nos fará felizes se faz necessário que descubramos como nós mesmos podemos nos proporcionar prazer e sermos felizes independentemente de com quem estejamos. Só podemos dar o que temos e uma relação a dois deve ser pautada pela troca justa, senão isso é simbiose, um processo patológico sutil de dependência, prisão e estancamento evolutivo para as duas pessoas envolvidas.


Não se pode esperar “um príncipe encantado” se não se é “uma princesa encantada”. Não se pode cobrar ou esperar que o outro adivinhe o que gostamos, o que nos faz feliz, o que nos realiza, o que nos dá prazer. Por outro lado, também não é justo esperar só receber na relação a dois, se faz importante também contribuir efetivamente com o prazer, a alegria, a realização e a felicidade do parceiro.

Na Ciência Estelar conhecida como “Astrologia” podemos compreender como o amor é importante em termos evolutivos. Mas, antes de abordarmos o amor em si é importante que abordemos a descoberta de si mesmo.

É hábito aos afeitos da Astrologia perguntar aos outros “qual é o seu signo”, afinal saber o signo da outra pessoa nos traz muito mais informações sobre ela do que seu nome. Mas, por trás da pergunta “qual é o seu signo” está a pergunta técnica “em seu Mapa Astral em que signo está o planeta Sol”?


Costumo explicar que o Sol em um Mapa Astral é como o motor de um carro, seu verdadeiro “coração”, enquanto o signo Ascendente representaria a lataria do carro, sua aparência externa. Astrologicamente, o Sol em um Mapa Astral representa a energia da pessoa, uma síntese de sua vida e características mais importantes. Mais além, o Sol representa também sua saúde, seu amor, seu brilho pessoal, sua felicidade, sua prosperidade, sua realização e sua verdade mais essencial e vital. Quando o Sol (realização, amor, felicidade, prosperidade) não tem espaço em uma vida atropelada pelas conveniências sociais, dos dogmas, preconceitos, costumes, tradições, ideologias, etc. então ocorre o processo de morte. Essa morte pode ser em vida, com a anulação da pessoa por fatores estranhos a si mesma, e isso ao longo do tempo vai se somatizando na forma de doenças até levar ao óbito.


O Sol principia a brilhar com mais força na fase da adolescência, regida pelo signo de Leão. Nesse período é quando descobrimos o que temos de melhor, olhando para nós mesmos, nos descobrindo enquanto indivíduos originais, autênticos e diferentes dos outros. Então, é quando percebemos que somos bons em alguma coisa, ficamos eufóricos com isso e queremos mostrar (brilhar) para os amigos o que de melhor temos, o que fazemos de melhor, buscando assim nos destacar em nosso grupo. É o processo de amar a si mesmo. Ao passo e à proporção que descobrimos quem somos, o que temos de melhor e então o que nos é mais importante na vida, tendemos a procurar a “nossa turma”, ou seja, pessoas com valores, hábitos, costumes ou habilidades semelhantes às nossas ou que as valoriza e aprova.

Assim, na adolescência, o amor por si mesmo, pelo que nos é essencial, nos leva a também valorizar a essência de outras pessoas semelhantes. Essência é vida e é amor. Se uma pessoa não se ama, não valoriza a sua essência, como pode esperar que outra pessoa vá amá-la ou amar a sua essência? Se uma pessoa não conhece sua essência como esperar a outra vá adivinhar isso? Se uma pessoa não sabe qual a sua essência como irá se aproximar de um grupo semelhante e nele encontrar alguém com maior afinidade íntima? Se não encontra afinidade íntima como pode chegar à realização íntima?


Porém, o Sol no Mapa Astral não representa apenas o indivíduo e sua essência. Ele representa a figura paterna também, como o indivíduo percebeu o pai e essa imagem ficou gravada em sua alma. A relação que a pessoa enquanto criança teve com o pai irá representar também o adulto que ela tende a ser, como ela verá a si mesma, sua vida, o amor e sua possível realização na vida, seja no âmbito social, profissional ou espiritual. A relação com a figura paternal (que pode ser representada por outra figura que não o pai biológico) é determinante para a vida da pessoa. Mais que isso, condicionará sua futura relação com figuras de poder e autoridade, tais como chefes, policiais, juízes, políticos, etc.. O psicanalista Freud abordou em seu trabalho a importância da figura paterna para o desenvolvimento infantil. Existem também livros best-sellers abordando a importância da figura do pai no sucesso dos filhos (como “Pais brilhantes Filhos brilhantes”, de Augusto Cury). Até mesmo um dos mandamentos mosaicos é “honrar pai e mãe” evidenciando que esse é um conhecimento ou verdade atemporal. Ora, quando um jovem tem problemas de relacionamento com o pai, isso é sinal de futuros problemas com autoridades, com a vida e com sua espiritualidade.


Uma importante e nem sempre lembrada simbologia do Sol é que esse astro, na Ciência Estelar, representa também nada menos do que Deus. Por isso, ser pai não é um ato biológico inadvertido. Ser pai é também ser um pouco Deus, dar vida a um ser, não só gerar uma vida biológica, mas também uma vida (equilibrada e brilhante) psíquica de uma pessoa e ser sua referência para a realização existencial. A relação que a pessoa tem com o pai refletirá na relação que ela terá futuramente com o conceito, imagem e referência divina.

A esse ponto imagino que o leitor esteja refletindo sobre como foi ou é sua relação com seu pai. Evidentemente somos todos imperfeitos e repletos de limitações, falhas e imperfeições. Então a pessoa pensa: meu pai não foi o pai ideal, minha relação não foi a ideal, então estou destinado a não me realizar, a não ser feliz no amor, a não merecer o amor de Deus? Costumo explicar que via de regra todo pai tende a buscar dar o que tem de melhor para seus filhos. Por mais imperfeito, ruim ou inadequado que ele seja ou tenha sido, muito provavelmente ele deu a seus filhos mais amor ou amor de melhor qualidade que ele próprio recebeu. Nesse ponto costumo convidar a pessoa a conversar com seu pai ou então com outras pessoas, perguntando sobre o passado dele, a criação que ele teve. Aí então poderá compreender porque ele é como é e o que lhe oferece.

Agora poderá surgir na mente do leitor a importantíssima pergunta “existe uma forma de se mudar ou melhorar a figura paterna ou solar na vida de uma pessoa”? A resposta, felizmente, é SIM, é possível se mudar ou melhorar a figura paterna ou solar na vida de uma pessoa. Mudando-se isso muda-se a vida dela como um todo, suas possibilidades de realização e de felicidade. A pergunta seguinte então é “COMO”?


Igualmente como se faz na Homeopatia em que “semelhante cura semelhante”, é justamente na representação do Sol, do pai, de Deus, que encontraremos a “cura” ou melhora dessa significação. Mais precisamente, é no AMOR, no verdadeiro amor, que podemos encontrar a cura para o desamor. Vale ressaltar aqui que o que comumente as pessoas chamam de “MAL” é na verdade desamor, é uma reação inconsciente atávica, que pode se tornar um hábito ou mesmo parte do caráter de uma pessoa, de um grito desesperado pela atenção, pelo respeito, pelo amor de alguém. Por isso o verdadeiro amor é condescendente, ele percebe que a maldade implora por amor, atenção, carinho, afeto, respeito, apoio.

Por outro lado, o amor é a única força capaz de mudar de fato as coisas, mudando a essência de uma pessoa. Mais do que uma palavra bonita e politicamente correta, o verdadeiro amor deve ser buscado e encontrado em nós mesmos, em nosso próprio Sol. Em todos nós existe uma pequena fagulha divina, uma pequena chispa de Luz, pelo menos um princípio de amor. Se isso não fosse verdade não existiria vida, pois amor é vida e vida é amor, afinal o amor é a força que integra e a falta de amor resulta em desintegração, fragmentação, esfacelamento, entropia. Mesmo na atitude violenta de um pai maldoso talvez seja possível encontrar um pouco de amor dele tentando educar o filho, de forma talvez inadequada, para não fazer algo que ele considere errado, buscando preservar assim seu filho de futuros dissabores como possivelmente ele experimentou amargamente em seu passado.


Lembrando que o Sol é amor e também a vida da pessoa, percebe-se a essa altura que a famosa frase do templo de Delfos não é tão estranha assim: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerá aos deuses e ao universo”. Ao nos colocarmos como foco de estudo, buscando nos conhecer melhor, podemos conhecer nossa porção divina e então conhecer não todos os “deuses”, mas pelo menos alguns deles, podemos assim dizer. Na proporção que temos consciência de nós mesmos, de nossa realidade profunda e essencial, descortina-se para nós a essência da vida semelhante à nossa, existente no universo. É assim que um bom terapeuta, astrólogo, iniciado ou pessoa feliz nasce, com o conhecimento de si mesmo. Quanto a isso, é mais do que enfatizado o fato de que a interpretação do Mapa Astral é a principal ferramenta para o autoconhecimento e esse é essencial para a realização e a evolução da pessoa, principalmente em termos espirituais. Descobrindo o que temos de melhor, nossa pequena porção de divindade, podemos refazer os passos de nossa adolescência, transcendendo os estímulos recebidos pela figura paterna, até porque por melhor que seja pode ter sido equivocada quanto a nós mesmos, era como nosso pai nos via (e apoiava e incentivada ou não) e não necessariamente como somos de fato.


A “saída” para o “beco da vida” se encontra dentro de nós mesmos, em nossa essência, na busca do “QUEM OU O QUÊ SOU EU”. Nessa busca devemos identificar até que ponto reproduzimos estigmas e rótulos que pais, parentes, amigos e sociedade nos impingiram, a despeito do que de fato somos. Quando chegarmos a esse ponto nos cabe não dar tanta atenção a comportamentos, pensamentos ou rótulos que trazemos do passado em nosso interior. Então, precisamos como um novo adolescente nos permitir sermos diferentes, agir de forma diferente, viver de forma diferente, valorizar o que temos de melhor e mais original em nosso interior, nos amarmos mais e melhor. Porém, isso não significa ser egoísta ou egocêntrico, pelo contrário, o verdadeiro amor busca irradiar suas qualidades para quem assim o buscar ou desejar, sem o impor. O verdadeiro amor respeita as essências alheias, principalmente se lhe são diferentes. O verdadeiro amor quer ajudar, contribuir, colaborar para melhorar a vida alheia e com isso se realiza, sente-se cada vez mais feliz. O verdadeiro amor é pura doação, como o Sol que nos banha constantemente com sua luz, calor e vida, independentemente se olhamos para ele, se reconhecemos isso ou mesmo se acreditamos nisso. É como os pais para o filho adolescente. Mas, ninguém dá o que não tem e nem se dá mais ou melhor do que se tem. Quando identificamos nosso brilho pessoal, nossa essência, nossa verdade e a valorizamos estamos alimentando essa luz que paulatinamente, pela constância e perseverança, vai aumentando seu brilho e sua força, ocupando espaço, espantando sombras, medos, inseguranças, traumas, bloqueios, etc. É assim que começamos a mudar para melhor o que recebemos dos pais: valorizando o que somos de fato e aquilo que mais nos torna felizes e realizados.


Mas, o grande salto evolutivo mesmo se dá quando decidimos pela etapa mais decisiva do amor que é a opção pela vida a dois, seja ela formal ou não, com bênção religiosa ou não. O encontro entre duas luzes, dois sóis, duas divindades, é algo mágico e poderosíssimo.


Diz-se que antigamente o Zodíaco tinha dez signos e não doze, como hoje. Mas, com a imaturidade (falta de conhecimento de si mesmo, de suas divindades) da Criatura (homem e mulher simbolizando toda a nossa humanidade) Deus então separou os casais e de um único signo regente e significando da Criatura então se fez dois, Virgem e Escorpião. O signo de Virgem regido pelo Feminino Universal, a Grande Deusa sempre imaculada, pura e jovem, representante da Criação; e o signo de Escorpião regido pelo Masculino Universal, o Grande Deus, poderoso, representante do Criador e forte. Virgem é regido por Lilith e Escorpião é regido por Plutão. Esses deuses representam o que existe de mais interior e profundo, do qual nós estamos distanciados, mas que se acessados nos conferem poder inimaginável, transformador e criador. Porém, a distância significa obscuridade e obscuridade dá medo pelo desconhecimento e isso nos afasta da verdadeira e divina Origem. Então, para ensinar harmonia e convivência colaborativa ao novo Casal Divino, de Gêmeos Espirituais, Deus criou o signo de Libra, o signo do casamento, da empatia, da concordância, da tolerância e do encontro harmônico dos princípios complementares.

Enquanto não se tem uma união estável, duradoura, verdadeira e profunda, é possível nos sintamos perfeitos, com “pequenos defeitos” apenas. Mas, quando por amor nos soltamos, nos abrimos e abraçamos uma relação séria, profunda, verdadeira, baseada no amor e na verdade, então começamos a descobrir nossas falhas, defeitos, imperfeições mais profundas. Mais que isso, descobrimos nossas limitações. E isso nos incomoda demais, principalmente porque queremos ser perfeitos para tornar a vida da pessoa amada perfeita, harmônica, pacífica, prazerosa, saudável. O incômodo com nossa imperfeição, com nossa limitação e dificuldades para poder melhorar a vida da pessoa amada motivada pelo verdadeiro amor realimenta esse amor que temos por nós mesmos e encontramos forças, soluções, ousadia e caminhos para mudarmos essencialmente, mudando assim a nós mesmos, nossas vidas e nossas possibilidades de realização. Por isso o casamento é considerado um sacramento, porque de fato ele é sagrado, não como instituição religiosa ou formal, mas sim por proporcionar o processo de fomento do fogo divino que há em nós a partir do amor que move os amantes.


Através da relação profunda, baseada no verdadeiro amor, entre duas pessoas, então pelo amor e com o amor se consegue RESSIGNIFICAR A FIGURA PATERNA, mudar esse arquétipo interior expandindo-o até os limites de nossa vontade. Então, ao invés de repetir o pai (de forma idêntica ou frontalmente oposta) nos percebemos como uma evolução dele, uma versão mais ampla, melhorada e até mesmo a realização de sua missão espiritual na Terra. E, aqui, é importante lembrar que conforme a Ciência Estelar o planeta Sol, bem como o signo de Leão e a Casa V, também representam os FILHOS. Será que queremos ser pais como nossos pais o foram ou queremos ser algo melhor? Será que queremos ter filhos assim como nós ou queremos filhos melhores, que sofram menos, que saibam mais, que avancem mais, que sejam mais felizes e prósperos? Novamente o amor motivando a evolução que partiu de si mesmo, passou pelo apoio evolutivo mútuo, chegou à família, célula mãe da sociedade e acaba desaguando nessa mesma sociedade para a qual geramos e educamos nossos filhos.


É assim que contribuímos para a formação de uma sociedade melhor, para um futuro melhor, começando por nós mesmos e trabalhando coletivamente. É com atitudes, firme decisão, autoconhecimento e principalmente muito amor é que podemos de fato mudar vidas, tanto as nossas como a de outras pessoas; é assim que podemos de fato mudar nosso futuro e nossa sociedade.


Juarez de Fausto Prestupa
Academia Ciência Estelar