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domingo, 12 de agosto de 2018

Releitura esotérica do mito de Adão, Eva e Lilith ou o Mito da Criação


Releitura esotérica do mito de Adão, Eva e Lilith ou o Mito da Criação

Os antigos mitos da Criação guardam mistérios insuspeitos que à luz da consciência esotérica revela conhecimentos muito importantes e interessantes

Segundo a Bíblia, Adão e Eva foram expulsos do Paraíso porque Eva induziu Adão a comer do “fruto proibido” oferecido por Lilith. No texto bíblico não se fala explicitamente em Lilith, nessa passagem, mas somente em “serpente”.



Em Gênesis 1:27 diz: "Deus, portanto, criou os seres humanos à sua imagem, à imagem de Deus os criou: macho e fêmea os criou." Aqui fala-se da criação de Adão e Lilith, ambos de igual condição, essência e origem. No segundo capítulo versículo 18: O Senhor Deus disse: 'Não é bom que o homem esteja só; vou dar-lhe uma ajuda que lhe seja adequada, e é apenas no versículo 22 do segundo capítulo que Eva é criada: “E da costela que tinha tomado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher, e levou-a para junto do homem.” Observa-se que existe um hiato entre a criação de Adão e Lilith e a criação de Eva.

O fato é que o mito conta que no início Deus criou Adão e Lilith, ambos do pó, soprando-lhes a vida. Entretanto, Lilith não aceitava a condição de ser submissa a Adão, até porque eram feitos da mesma matéria: "Por que devo deitar-me embaixo de ti? Por que devo abrir-me sob teu corpo? Por que ser dominada por ti? Contudo, eu também fui feita de pó e por isso sou tua igual". Adão então retrucou: “Eu não vou me deitar abaixo de você, apenas por cima. Pois você está apta apenas para estar na posição inferior, enquanto eu sou um ser superior”. Lilith respondeu: “Nós somos iguais um ao outro, considerando que ambos fomos criados a partir da terra”. Mas eles não deram ouvidos um ao outro. Quando Lilith percebeu isso, ela pronunciou o “Nome Inefável” e voou para o ar. Adão então solitário e muito triste, suplicou a Deus por uma companhia. Foi quando Deus fez outra mulher para Adão, dessa vez de sua costela, para não correr o risco de que essa também se rebelasse. Em Gênesis 2:23, está escrito "E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada." Uma evidente referência de que Lilith, ou a companheira anterior, não era carne de sua carne ou extensão de si mesmo.



Lilith está presenta em várias culturas e sua história é muito conhecida no meio hermético judaico. No folclore popular hebreu medieval, ela é tida como a primeira mulher criada por Deus junto com Adão, que o abandonou, partindo do Jardim do Éden por causa de uma disputa sobre igualdade dos sexos. Lilith foi criada por Deus com a mesma matéria prima de Adão, porém ela recusava-se a "ficar sempre por baixo durante as suas relações sexuais".



Lilith, ou a “serpente”, depois tentou a Adão o fazendo cometer adultério, em tese traindo Eva com ela, Lilith. Desde então o homem teria sido expulso do Paraíso e Lilith tentaria destruir a humanidade, filhos do adultério de Adão com Eva, pois mesmo tendo abandonado seu marido ela não aceitava a segunda companheira. Porém, o mito bíblico não fala de Adão envolvido com Lilith, mas sim que a “serpente” levou Eva a comer a maçã e oferecê-la também a Adão. Essa “maçã” seria a representação do “fruto do conhecimento”, ou da Árvore do Conhecimento”. Ou seja, se Lilith deu conhecimento à Adão e Eva ela lhes conferiu consciência. Mas, consciência de quê? Da realidade, pois após experimentarem a consciência perceberam que estavam nus e então se cobriram. Então a consciência é algo abominado, que não se deve almejar, algo proibido ou pecaminoso? Seria então melhor viver na ilusão, no sonho, fora da realidade? Esse foi o “pecado”?


Lilith representa a liberdade sexual feminina, tão comum nos dias de hoje. Sua associação com a imagem de serpente alude à simbologia do inconsciente coletivo relativo à Tiamat, uma deusa das mitologias sumérica e babilônica associada ao oceano (que também está associado ao nome de “Maria” e de onde surgiu a vida, inclusive para a ciência acadêmica atual). Na maioria das vezes, Tiamat é descrita como uma serpente marinha ou um dragão (figura tão comum na espiritualidade oriental). Inicialmente, quando o mundo cultuava divindades femininas com suas várias faces, Tiamat era adorada como a mãe dos elementos. Tiamat foi responsável pela criação de tudo que existe. Os deuses eram seus filhos, netos e bisnetos. Tiamat possuía as “Tábuas do Destino” e em uma importante batalha ela as deu a Kingu, o qual era seu filho e líder dos exércitos de Tiamat. Nessa batalha os deuses mataram Tiamat e Kingu foi posteriormente capturado e depois assassinado, e seu sangue vermelho foi misturado com a terra vermelha criada do corpo de Tiamat, para então formar o corpo da humanidade.

Ou seja, tanto no mito bíblico quanto no mesopotâmico Lilith se encontra relaciona diretamente com a Criação da humanidade.

O chamado “Livro de Enoque” existe a alusão de que o “pecado” da humanidade pelo qual seríamos todos culpados eternamente de fato foi que “deuses” ou anjos violaram uma determinação divina ao se deitarem e procriarem com mulheres humanas, ou seja, por misturarem seu sangue, ou DNA, divino com os humanos da Terra. Isso equivaleria à zoofilia hoje, o homem fazer sexo com os animais. Pior porque como seres mais evoluídos esses “deuses” ou anjos acabaram gerando progênie, uma nova ordem de espécies.

Existe uma vertente que explica que esse foi um processo científico extraterrestre visando acrescentar um pouco de consciência e inteligência aos humanoides aqui residentes no planeta naquele tempo, com o intuito de transformarem estes em força de trabalho desenvolvendo habilidades e aprendendo tarefas. Mas, esse tema não é o escopo desse artigo.

O fato é que se olhando esses mitos fica claro e evidente a existência de duas grandes culturas: a celeste e a da Terra. Uma é oriunda diretamente de Deus e a outra é relativa à matéria, à Obra de Deus, à natureza. E, principalmente, que o “problema” seria a relação íntima entre essas duas culturas, pois à cultura celeste caberia única e apenas a obrigação de orientar a cultura da Terra. Quando seres celestes se envolvem com os terrenos eles abdicam de sua condição celeste e se assemelham aos seres da natureza. Esse processo pode ser identificado na mitologia grega em Homero que em sua Odisseia escreve sobre a deusa Circe e seu poder de mostrar a realidade dos homens que são transformados em animais por causa de sua submissão aos desejos mais baixos.


Ocorre que o mundo da matéria ou da natureza é inebriante, sedutor, envolvente e fortemente atrativo. Os seres celestiais não tinham conhecimento e experiência quanto a isso e sucumbiram à sedução da criatura deixando-se deleitar com prazeres nunca antes conhecidos. Conhecendo então as maravilhas da Criação e da criatura, foram perdendo a consciência de sua condição de divindade, acreditando-se igual aos terrenos. A estes é que possivelmente Jesus se dirigiu ao dizer: “Vós sois deuses, mas tendes se esquecido disso”.

Por outro lado, esses seres celestiais, divinos ou extraterrestres, em sua essência e alma, anseiam por se completarem com outros seres de igual linhagem e origem e essência. Deleitam-se fisicamente com os terrenos, mas esses não satisfazem plenamente suas almas. Então, simbolicamente estabelece-se o triângulo amoroso entre o ser celestial, sua companhia celestial e sua fonte de prazer física terrestre.

É sabido que o amor é celestial (que é desapegado por essência) e que o plano denso da matéria em nosso planeta proporciona a paixão ou o apego. Retomando o mito bíblico, Lilith então representaria o amor celestial, a condição de complemento divino, e Eva é que representa a paixão pelas fontes de prazer existentes nesse plano e nesse planeta, o verdadeiro “Jardim do Éden” ou “Paraíso”.

Lilith então representa o feminino consciente de si e de seu poder ou direitos, que é objetivo e transparente, verdadeiro, justo e desapegado. Eva, ao contrário, representa a sedução, o comportamento evasivo, os subterfúgios, o apego. Se Lilith é a consciência espiritual, Eva é o inconsciente.

Mas, à essa altura, talvez toda a humanidade já tenha em seu DNA traços tanto de Adão quanto de Eva, tanto de origem celeste quanto terrestre. O que ocorre é que existe uma diferença de “quantidade” dessas características em nós, ou, melhor, qual delas alimentamos mais, por qual delas nos embasamos para tomar decisões, para decidir nossos futuros e realidade presente.

Somos seres celestes vivendo uma experiência terrestre, uma experiência única em termos de evolução nesse momento em nosso sistema solar. Os “deuses” (anjos ou extraterrestres) assistem surpresos, atentos e interessados ao desenrolar dos fatos daqui e somos o foco das atenções de outras culturas e mundos. Nosso futuro está em aberto, seguiremos usando conscientemente os poderosos e magnéticos recursos materiais ou ao contrário, usaremos conhecimentos e poder de forma egoísta e apaixonada? No futuro seremos deuses vivos vivendo conscientemente e felizes na face da Terra ou bestas poderosas se digladiando pelo controle das fontes de prazer e satisfação em uma guerra infinita?



Juarez de Fausto Prestupa
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