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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A Verdade é simples, mas nossa visão dela é complexa


Após acompanhar muitas discussões e até mesmo participar de algumas delas me ocorreu publicar algumas ponderações pessoais acerca da Verdade.

Mas, porque a Verdade? É que as discussões mais acaloradas ocorrem justamente pela defesa ferrenha de alguma idéia ou posição tida como verdadeira por um irmão, idéia ou posição esta que se contrapõe a outra verdade professada ou defendida por outro (quando ambos bem intencionados e bem fundamentados em suas argumentações).

Também, porque somos Buscadores da Verdade por princípio maçônico, queiramos isso ou não.

Bem, penso que um dos caminhos mais seguros a seguir atualmente é o científico, por mais limitado e preconceituoso que se mostre (este é assunto para outro debate).

Na ciência não existem negativas, somente afirmativas. Uma pesquisa sempre vai afirmar algo, ela é positiva. Não existe forma de se negar que algo não exista, mas somente que algo exista. Por exemplo, não há atualmente ferramental teórico ou técnico para comprar que não existe alma, espírito, pensamento, etc. O que se pode dizer é que o corpo físico é comprovável e uma certeza universal. Mas, mesmo as certezas por vezes preconizadas pela ciência algumas vezes mudam, ou seja, aquilo que parecia verdade deixa de ser para abrir espaço para um conceito mais amplo e completo que o anteior. Isso porém sem garantias de que seja a verdade definitiva e absoluta. Foi o caso do conceito do átomo (última partícula indivisível da matéria, conceito que desmoronou com a Física Quântica). O mesmo ocorreu com a idéia de célula, menor corpo vivo ante ás bactérias e vírus.

Aliás, para os positivistas praticamente só as ciências ditas "duras" são consideradas como ciência mesmo: matemática, física, engenharia, etc. As ciências ditas "humanas" são via de regra muito subjetivas e têm seus objetos não claros e concretos, além de comprovações duvidosas (segundo este conceito). Um absurdo interessante é o fato de que a Metodologia Científica nasceu no seio da Filosofia (que por sua vez se originou dos estudos da Mitologia, Religiões, etc.). Pela análise rígida da Metodologia a Filosofia não pode ser considerada uma Ciência. Pode? Doido, né?

Bem, mas vamos voltar ao nosso assunto, a Verdade. Reproduzo abaixo um breve resumo de parte de meu livro "Astrologia na Maçonaria".

A Verdade é uma busca comum para todos, incluindo os filósofos, os religiosos e os cientistas.
Há quem diga que é impossível ao ser humano chegar à verdade visto que é limitado (imperfeito) e que a verdade reflete a Perfeição.
A verdade nasce do julgamento da mente a respeito das realidades e é justamente aí que pode residir o erro, o equívoco ou a limitação.
A realidade é anterior e posterior à ciência. Extrair a verdade da realidade é obter a razão da vida.

Temos alguns estados da mente em relação à verdade: ignorância, dúvida, opinião e certeza. Mas, podemos ter certeza da verdade?

Nada na Criação está fixo e definitivo. Todo o universo se encontra em expansão, segundo a Física, tanto no macro como no microcosmo. Nada está parado, nem mesmo o interior daquela pedra do calçamento, dentro dela existe movimento e portanto vida.

De acordo com a ciência temos alguns graus de certeza: absoluta, hipotética, metafísica, moral, científica, religiosa e vulgar.

Aqui já podemos perceber pontos de tensão em discussões de nossos grupos. Por exemplo, quanto ao "nascimento" da Maçonaria. Dependendo da linha de raciocínio seguido pelo maçom sua certeza pode ser metafísica ou científica. Uma abordagem não invalida a outra e também não detém a verdade absoluta. Em absoluto!

As evidências constituem as "comprovações" das verdades retiradas da realidade. Mas, de que vale uma evidência filosófica para um pesquisador que busca provas físicas, materiais?

Para encerrar este resumo, quero lembrar aos Irmãos que na Cabala judaica temos quatro "Mundos" da Criação ou formas de manifestação do GADU:

1 - Mundo da Ação (o físico) - onde pedra, por exemplo, é pedra e ponto final. Em Maçonaria poderíamos dizer que seja o nível dos "profanos";
2 - Mundo da Formação (abstrato, eu associo com as emoções) - onde esta pedra é um conjunto de partículas em movimento e um centro que pode ser energético. Em Maçonaria poderíamos dizer que seja o nível do "Aprendiz", aquele que vê a vida com outros olhos além das evidências materiais e considera outros fatores mais sutis da vida social;
3 - Mundo da Criação (abstrato, eu associo com as idéias) - onde esta pedra pode ser considerada um ser vivo, complexo. Em Maçonaria poderíamos dizer que seja o nível do "Companheiro";
4 - Mundo da Emanação (divino, eu associo com o espírito) - onde esta pedra é conceituada apenas como pedra e ponto final, sem especulações ou conceituações, porque ela é tida em seu sentido mais amplo e profundo; conceituar ou especular é querer limitar o ilimitado, definir o indefinível. Por isso este nível é o nível do segredo, do silêncio e da reflexão. Este é o nível do verdadeiro Mestre.


Por isso, penso que devemos respeitar as opiniões alheias, tentar entender de qual ângulo o irmão está olhando a questão e a nossa própria visão. Caso contrário, muitas discussões podem não contribuir para a busca da verdade e se mostrarem perda de tempo, energia e amizade sem sentido.

O Circumponto



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O tão badalado circumponto que Dan Brown explorou em seu último best-seller "O Símbolo Perdido" a meu ver merece realmente toda a atenção e estudo por parte dos maçons.


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O Circumponto é o círculo com um ponto em seu centro e encontra-se representado nos Templos sempre (no REAA pelo menos) ao lado do Trono de Salomão, no Oriente (lado direito do V.´.M.´.).


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O ponto no centro do círculo nos remete à idéia das órbitas (mesmo que estas não sejam circulares em sua maioria) tal como da Lua em torno da Terra ou mesmo dos supostos elétrons em torno do núcleo molecular (supostos porque na verdade os elétrons são nuvens que circundam o núcleo molecular e só se mostram como partícula quando fora da estrutura molecular).
Bem, para que exista órbita é necessário o equilíbrio entre duas outras forças a centrífuga (que "joga" para fora os elementos circundantes) e a centrípeta (que "puxa" para dentro os elementos circundantes, em função da força de atração dos corpos). Vejam, então temos TRÊS forças aí: 1) a centrífuga (poderíamos relacionar com os Aprendizes); 2 - a centrípeta (que poderíamos relacionar com os Companheiros) e a resultante que é a 3 - a orbital (que certamente poderíamos relacionar com os Mestres).

Vejam que maravilha, um simples símbolo pode nos dizer muitas coisas. Não é à toa que nossas Lojas são Simbólicas e que o estudo da simbologia é estimulado nos nossos rituais.

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O Circumponto nos conduz à idéia dos Totens, símbolos fálicos erigidos pelas mais diversas culturas, desde indígenas (de diversos continentes) até mesmo os egípcios. O Djed de Osíris é talvez o mais forte e mais importante símbolo fálico para nós maçons. Apesar de alguns estudiosos afirmarem ser o Djed o símbolo da coluna vertebral de Osíris, na verdade ele simboliza o falo que Ísis não conseguiu encontrar para recompor o corpo do deus egípcio (lembremo-nos que seu corpo foi esquartejado em 14 partes que foram espalhadas por todo o Egito por seu irmão - detalhe: para mim até hoje não está claro se o falo é a 14a parte de seu corpo ou a 15a, penso que a 15a parte faz mais lógica simbólica, visto o que este número significa). Qualquer estudante de Psicologia poderá afirmar que um totem, o Djed de Osíris ou qualquer símbolo ereto é algo notadamente fálico e, como fálico é masculino. Traz consigo a idéia de semeadura, semente, sêmen, de princípio ou origem, ou, por outro lado, de manutenção e perpetuação da vida. O mesmo acontece com todo e qualquer obelisco, por exemplo.

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O circumponto é talvez o maior símbolo da Unidade. Ele representa o Um como princípio, início, começo. Mas, precisamos analisar de qual óptica isso é feito, se olhando com olhos de números Naturais (tal qual um Aprendiz poderia fazê-lo) ou se com a visão dos números Inteiros (tal como um Companheiro poderia fazer. A diferença é enorme: falando-se em termos de números Naturais o Um é um e ponto. Mas, em termos de números Inteiros tem-se que levar em consideração também seu simétrico, ou seja o menos Um (-1). Os números inteiros trazem consigo esta idéia de simetria. Bem, então de acordo com a visão dos números Naturais o Um é único, mas na visão dos números Inteiros existe o Um positivo e também o Um negativo. Ou seja, dois princípios! Então, pensando assim o Um é na verdade Dois, um masculino e um feminino. Mas, e então o princípio único, qual seria? Seria o Zero, o Imanifesto. Isso é lógico visto que a partir da Criação Tudo é Natureza e portanto feminino e portanto Dual, inclusive o Um. Bem, isso é assunto para outro debate também.

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Mas, além da simbologia divina, o Circumponto também traz consigo a idéia de Unificação magnética. O ponto central é o núcleo ao qual tudo é concentrado, atraído, tal qual as hostes angelicais que cantam louvores à Deus, no nível mais elevado da hierarquia espiritual, os Serafins. Ele reúne, integra, reúne, religa ("Religare"), é o fator de união tal como o amor, o cimento das relações (diverso do conceito de processo de entropia universal - desarranjamento das moléculas ou caos na Criação). Este conceito também tem repercussões muito importantes. Vejamos, se quanto mais nos distanciamos da unidade (Deus, amor) mais perdemos Luz e também as moléculas perdem seu poder de coesão, ou seja, passam a se desarrumar, a "esfarelar", perde-se então a unidade como indivíduo ou coisa, seja lá o que for, voltando ao estado natural de átomos soltos livres. Isso nos leva à conclusão que não existe e nem pode existir nada que seja contrário à unidade, à Deus, visto que não teria vida ou existência. Ou seja, a idéia de um Diabo contrário à Deus é um absurdo, pois a idéia de Deus é a personificação (se assim se pode dizer) da unificação ou unidade ou mesmo da individualidade, seu oposto, o suposto Diabo seria algo que "personificaria" a dispersão, o fracionamento, a não vida, a não existência, a não materialidade! Interessante, né? Por outro lado, quanto mais nos aproximamos da unidade, mais indivíduos somos, mais próximos da Verdade e de Deus.

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Esta reunião em torno de uma unidade, reverenciando sua força, poder e benefícios pode receber um nome:Ritual. Por uso, um ritual pode ser a repetição regular de uma liturgia o que se torna um rito. Qual a vantagem ou importância disso? Um ritual geralmente tem a finalidade de representação de uma situação original, primordial, de quando estávamos mais próximos à Unidade Primordial, ou seja, mais próximos de Deus em alguma data ou circunstância. Isso se mostra benéfico no sentido de que a Unidade é sempre equilibradora, saudável, elevada, integradora, iluminada, verdadeira, amorosa. Ou seja, o ritual regular é recomendado para que sempre possamos realizar uma "correção de rumo" caso nos distanciemos da Unidade em razão dos constantes estímulos dispersivos que recebemos diariamente na vida comum. Este assunto é muito bem abordado pelo antropólogo Mircea Eliade em seus livros, os quais recomendo a leitura, principalmente o título "O Sagrado e o Profano".




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Astrologicamente o circumponto é o símbolo do Sol, que por sua vez representa a Vida, a Verdade, a Justiça, o sucesso, a realização, o Amor, a saúde, a lealdade, a sinceridade, a benevolência, Deus, o pai de sangue, os filhos. Para a mulher representa também o marido. Isso é lógico visto que o Sol nos mantém aquecidos e iluminados e por diversas outras razões mantém a vida como ela é, de forma "magnânima", ou seja, aquece e ilumina a tudo que esteja perto, de forma indistinta. É interessante a relação que se pode fazer entre o Sol astrológico com o mandamento de honrar pai e mãe. Veja, honrar o pai é honrar o Sol e honrar o Sol é reverenciar a própria vida da pessoa, seu amor próprio, suas possibilidades de sucesso e realização. Por outro lado, sua relação com seu pai se refletirá em sua vida, em seu modo de amar e de se portar como homem, como marido e como pai. Mais do que isso, sua relação com seu pai repercutirá também na relação que terá com a idéia de Deus, com a Verdade e a Justiça. É claro que sistemicamente analisando isso tudo se refletirá em sua saúde, seja ela orgânica, psíquica, social ou mesmo de natureza espiritual.

Bem, para mim está claro não só a importância do símbolo do Circumponto como também sua presença nos Templos maçônicos e sua singela simbologia de união, divindade, vida, verdade, justiça e paz.

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