segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O Circumponto como resultado do Casamento Alquímico


Recebi um conhecimento e passo agora a partilhá-lo.

Talvez para aqueles que não estejam praticando o processo alquímico este texto possa parecer confuso, complexo demais e até mesmo contraditório. Mas, para aqueles que estão vivenciando a Obra este texto pode contribuir de alguma forma.



Habitualmente o circumponto é encontrado na Astrologia e na Alquimia como o símbolo do Sol. Por sua vez, o Sol é símbolo da realização, da Luz, da Justiça, da Verdade e do Amor.

É também comum encontramos a simbologia da Lua como contraparte do Sol e seu complemento. Mas, existe uma diferença hierárquica grande entre eles. Enquanto o Sol é o centro de nosso sistema planetário a luz é um satélite do pequeno planeta Terra, onde vivemos. Como pode um satélite ser a consorte de uma estrela se nem um planeta o é?

Os movimentos astronômicos em nosso sistema é realizado na forma de uma elipse (algo próximo ao oval) e não circular como se pensa. O movimento circular tem um centro, já o movimento oval tem dois centros ou focos.

Em Astrologia, o movimento circular da Lua em torno da Terra tem o nosso planeta como um dos focos e no foco vazio considera-se o ponto conhecido por Lilith, a chamada “Lua Negra”.

Mitologicamente (veja a tradição judaica de onde surgiu o cristianismo conhecido e antes dela a tradição mesopotâmica de onde veio o judaísmo) existem duas “mulheres” na criação do Paraíso: primeiro Lilith (feita do barro, assim como Adão) e Eva (feita da costela de Adão).

Toda a Criação pode ser considerada “feminina” se levarmos em conta que é a Natureza Naturada. Afinal, Ela é fecunda e recebe de bom grado as sementes para germinar e procriar. Até mesmo o pensamento mais elevado ainda pertence à Criação e portanto à Natureza.

Então, os focos vazios podem ser considerados partícipes do Imanifesto, da espiritualidade que existia antes da Criação, do “Fiat Lux”, na grande Noite Cósmica, antes de Deus criar os céus e a terra. Se a Criação é em essência dual (separou-se céus e terra, terra e água, luz e trevas) sua origem imanifesta é então a Unidade Primordial.

O movimento da Terra em torno do Sol, tem esta estrela como um de seus focos. No foco “vazio” então podemos conceber que seja o local do Sol Negro, dos antigos magos e alquimistas.

No processo alquímico conhecido por Casamento Alquímico, que ocorre entre o Rei e a Rainha (magos que atingiram o domínio ou regência de si mesmos) simbolicamente representa o encontro entre o Sol e a Lua, que por sua vez indicam as naturezas espiritual e material.

Então, se o casal de magos que realiza o Casamento Alquímico promove a fusão no processo final da Pedra Filosofal chamado “Coniunctio” realiza este processo nos planos material e espiritual, ou seja, promove a fusão entre Lilith e Eva, os sóis Negro e Iluminado, das Duas Colunas sobre as quais se apóia todo o edifício do Templo de Deus (referência dos templos erguidos pelos sacerdotes de todos os tempos).

Se estes alquimistas desconhecerem ou não considerarem o trabalho com os aspectos imanifestos jamais atingirão o ápice do processo.

Até porque, quando os dois focos, tanto lunares quanto solares, se aproximam o suficiente para que seus horizontes de evento se toquem formando o símbolo do infinito (ou da eternidade) é quando ocorre o chamado processo de despertar da consciência. É quanto o passado e o futuro se unem no eterno presente, momento este simbolizado pelo mitológico Janus Bifronte ou pela Águia Bicéfala. Neste momento os mundos manifesto e imanifesto perdem seus limites e inicia-se o processo de divinização da Criação.

Alquimicamente cria-se então o hermafrodita divino, Adan Cadmon, o “filho do homem” porque foi este que o criou com seu esforço, conhecimento, disciplina e método.

Adan Cadmon é o Homem Cósmico, Aquele que representa a Árvore da Vida, o Cristo.

Então, este processo culminará na fusão dos dois focos em um só ser, da fusão dos aspectos manifesto e imanifesto em um só ser, do concebível e do inconcebível em um só ser, do divino e do humano em um só ser.

Simbolicamente então haverá somente um só centro, um só foco, uma só origem da qual emana toda a Criação, toda a vida, seja ela manifesta ou imanifesta, material ou espiritual.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Transformação


Paradigmas de toda uma vida vem á tona. O Passado e o futuro se encontram, a roda gira mais rápido, o destino se cumpre, um novo pôr do sol para seguir. A transformação latente. O que acontece? A explicação foge ao controle, a complexidade de variações entre pensamentos e friezas com o eu. A vida... As extremidades... O porvir. O mestre que fraqueja calado, pois perde forças em um mar de espera e mutações, transmutações e alquimias do cosmo infindável. Existem todas as possibilidades do brilho, a estrela brilha, mas existe um véu obscuro. O véu do caos para obter o renascimento. O caos do corpo físico, o caos da mente, o espírito evolui sem que percebamos a fonte que sempre esteve ali. Ela está lá, forte, talvez isso seja uma espécie de casulo, um sarcófago que está sendo aberto para ser descoberto um segredo. 



O que há realmente? Não sei; vejo, sinto e prevejo, porém não sei. Minha sabedoria me faz ficar dura, quieta e inquieta ao mesmo tempo, diz para esperar ainda um pouco mais. As extremidades se confrontam e o sabor do próximo passo é tão claro na mente, tão claro e intuitivo. O cosmo tem seu tempo, a lei do ritmo, e sinceramente não sei se esse ritmo está de acordo com o meu ou o eu de acordo com ele, ao menos nesse momento de paralisia dos sentidos. Apesar de que tudo se encaixa perfeitamente no universo, posso ver isso sem nenhum obstáculo. Algo necessita desabrochar, acordar, florescer, sair internamente para o mundo. A imagem, algo ligado com a imagem, aquilo que eu menos suporto, os defeitos ultrapassados. Hora de desmascarar a si mesmo, hora de dar início àquilo que é para ser feito. Uma missão. Não achei que fosse estranho desse jeito, não difícil, nada é difícil para uma mente consciente, apesar de humana. Estranho, diferente. Sentir tudo se encaixando, tudo transmutando através da alquimia da vida. A rebeldia que resiste às mudanças, graças á cruel e indispensável frieza adquirida com o existir do passado. A necessidade do aprendizado consigo mesmo e com o universo. A renovação. Existe um céu estrelado chegando e uma das estrelas mais brilhantes faz parte de mim, só que agora, nesse exato instante existe uma neblina. Gostaria de sentir alguma coisa, mas nada sinto apenas as previsões que já estão falhando por conta da catatonia. Catatônica, eis o estado. Eu que escrevi muitas vezes sobre a catatonia mental, o paralisante das coisas que estão prestes a mudar, eu que já passei por isso e sinto como se dessa vez eu fizesse parte de algo maior. Algo destinado, a missão. Lutei tanto pra chegar até aqui e agora encontro-me sem reação, isso é que faz a rebeldia. Algo intrínseco que só eu mesma posso resolver ou esperar que o ciclo se complete. Sinto-me como um ser sem dons, paralisado, contudo, se tivesse que descrever um sentimento que está guardado é a felicidade, a alegria de tudo que foi conquistado com muita força e persistência, conquistei aquilo que necessitava para o fechamento de um círculo. Hoje, o presente é o futuro daquilo que se fechou. A cauda encosta na boca que daqui á pouco tempo será completa quando se engatarem formando o perfeito circula da vida. A neutralidade é tudo que incomoda. Essa espera diante de meu arquétipo impulsivo e perfeccionista. Coré transformando-se em Perséfone mais uma vez. O jogador perde sua rainha negra, mas sabe que a mesma será resgatada muito mais forte e em breve, só com o resgate da rainha negra que o xeque-mate poderá ser real. Apenas um estágio, uma fase onde a paralisia nos leva para longe do próprio ego. Não há dor nem emoções, apenas a certeza do que virá, a certeza do sol do sucesso de tudo que se almeja, a certeza do acontecido que nada mais é que a morte dentro da própria alma pronta para o renascimento de uma nova era psicológica, um mundo novo e brilhante. Assim se faz necessário, é assim que o simbolismo da morte se manifesta, nada mais que isso. O silêncio é apenas uma forma de força já que se tem consciência que nada nem ninguém entenderia, aliás, apenas eu tenho que entender, a jornada é minha, a vida que eu tenho que recomeçar, as palavras que fazem parte de uma missão. Quando paralisados a revolta com si mesmo é a única coisa que manifesta forte. A força permanece quieta bem ali dentro, não é fraqueza, jamais seria em uma mente poderosa, feliz e tranquila, tudo isso é apenas a manifestação alquímica da própria psicologia deixando para trás antigos padrões existentes e por mais que eu me sinta pouco à vontade em me expressar, vejo que criei dogmas ao longo da jornada antiga, logo eu antidrogas, os criei e só hoje vejo isso. Assim se manifesta a consciência para um ser melhor. A alquimia da vida, a transmutação do eu, a verdade diante dos olhos, a vida como ela é. A carta da morte seguida da carta do mundo. O hermafrodito se conhecendo através dos círculos traçados por aquilo que podemos chamar de destino. Tudo já foi previsto em forma de imagens, mas só agora eu sinto com tanta intensidade a morte do meu eu, a morte dos antigos padrões criados como arma, a morte e o renascimento. O novo! Bastam alguns dias para que tudo morra e tudo renasça, bastam alguns dias para que a roda se transforme e a estrela saia das brumas para voltar a brilhar. 



A evolução da psicologia, a minha evolução e só eu mesma posso me ajudar porque só o próprio controle pode fazer nascer aquela bela borboleta que está quase sendo jogada para o mundo e abandonando seu casulo, ela nunca mais voltará a ser a mesma, pois seu nascimento também é a sua morte. Uma mente transformada e evoluída nunca mais volta a sua forma inicial. Isso que estou esperando, por mais que me revolte sem motivo aparente, é exatamente isso que devo deixar para trás, deixar morrer. Enquanto houver a rebeldia nada mudará por inteiro. Eu desejo e necessito essa mudança, mas que as coisas têm que mudar e como minha mente já havia previsto antes, isso tudo é normal, apenas necessito ficar só, sei que não devo me ausentar tanto, não deixar a misantropia invadir a alma, mas esse é o método da reação física. Contudo, esse é meu momento de morte e nenhum ser que não tenha o dom que tenho saberia o quanto isso é necessário para a complementação e o quanto isso é necessário para a evolução nesse mundo. Cada um conhece a si mesmo (ou deveria conhecer), cada qual possui seu ritmo, esse é o meu, breve a renovação será implícita e alguém, mais bela e brilhante chegará com todas as forças e todo o poder mental. Assim é necessário, essa é a lei do meu ritmo. Esse é o toque indispensável para obter aquilo que se quer e aquilo para que veio ao mundo.

Letícia de Castro

A Máscara Social


Contribuímos ou achamos que contribuímos para a máscara social?
Primeiramente o mundo é feito de energia, desde a tomada de sua televisão ao cansaço físico que nos mostra o gasto energético do corpo, ou do estresse como uma carência de energia psíquica, até mesmo a energia dos astros que influenciam desde a maré (Lua) ou humor pessoal (planetas). Então não tenhamos dúvidas que seja qual for o tipo de energia, o mundo é composto por energia e influenciado por ela, isso é provado pela ciência e pelos sentidos humanos quer acredite ou não. Falando em energia todos os dias as pessoas gastam grande parte de sua energia para criar a chamada máscara social, um sistema errôneo em que fomos criados para sermos aceitos. Aceitos a quê? A escravidão é claro, somos escravos de nossa própria projeção, que é a máscara na qual me refiro. Ao invés de projetar realidades, construir sonhos, construímos e projetamos a falsidade e ainda desejamos que o mundo seja sincero conosco. Se formos falsos teremos falsidades, se formos amáveis teremos amor é a lei do retorno ou a lei da troca equivalente. Damos para receber. Se queres um mundo de justiça, de amor e de transparência humana, antes de tudo tem que tirar, quebrar suas máscaras, doar com justiça para obter um mundo justo. Parece fácil, mas quando se trata do ego, de antigos padrões existentes de eras remotas com dogmas errôneos com objetivo de alienação... É mais fácil para a natureza humana a acomodação, o não querer ouvir a verdade, o fingimento e a mentira para consigo mesmo, é mais fácil continuar sem mudanças e esperar a morte, o mesmo que declarar não à evolução. Se for contra a evolução de si mesmo então qual é o motivo de seu nascimento? Ficar rico? Ou habitar um mundo sustentável com outras riquezas além do dinheiro que parece ser a única resposta para os humanos acomodados (até para ganhar dinheiro não se deve ser acomodado) e não pensantes porque não se desligam da máscara cristalizada como eu sou isso e o eu verdadeiro inexiste. Se cada um arrumar sua própria mente, arrumará o mundo aos poucos, pois nossa arrumação possui influências automáticas que influenciarão outros e assim até se formar uma massa de energia pacífica. Nossos pensamentos geram parte de uma egrégora porque são energias e se esse pensamento tem poder ele se junta ao tipo energético compatível e cria uma massa aérea de energia construtora ou destruidora. Antes de tudo temos que destruir a nós mesmos. Todos os grandes sábios morreram em vida, como um iniciado que morre para o mundo mesmo que tenha que continuar habitando certos sistemas, ele tira a máscara e o mundo para ele nunca mais será o mesmo. Aquele que conhece a si mesmo muda e trás consigo a nova concepção dos valores ultrapassados, pois após enxergar a existência por um véu invisível aos humanos que não sentem, não veem, nem desejam aprender. A estrutura cerebral de um escravo (humanos fabricados para não pensar) tem em sua estrutura só o físico, o que com o tempo a interferência da base mental fraca os fez seres sem força física, sem a força psíquica ou espiritual. Em resumo, são seres alienados sem nenhum atributo tridimensional (o mínimo para um ser vivente nesse planeta). 




No fundo vestimos máscaras para fingir que somos escravos sociais, mas com o tempo nos acostumamos com ela e não discernimos mais quem somos, assim achamos que a máscara é o que nós somos de real, por isso padecemos na ignorância social, tornando-nos escravos de nós mesmos. Palhaços mascarados em um teatro deprimente e absurdo. O mundo se dividirá em alguma hora e as máscaras cairão, o choque é grande, melhor que forcemos com nossa própria vontade, pois aqueles que se acomodam a uma psique miserável irão sofrer sendo varridos fisicamente, pois a única dor que conhecem e o único mundo que conhecem é o da dor física, da violência, do medo e da fragilidade de pensamento. Nosso mundo mudou, essa é a entrada de uma nova era. Não porque a mídia investe no 2012, não porque a economia mudou, não porque temos mais ricos e mais pobres, mas porque aquele que pode sentir que sinta e aquele que pode ver que veja, muitas coisas estão mudando, mas é preferível mentir para si mesmo. Porque temos uma máscara, e nossa família, amigos, sociedade se acostumou, fazemos pelo outro que não está nem aí para nós. Deixa de evoluir por uma ilusão, pelo pior dos pecados: a ignorância, que é o motivo gerador do preconceito, e se tratando de preconceito assimilados está a sociedade que só aceita o igual e teme o inovador e os questionadores. Olhe só a grande massa ignorante, até que ponto você se assimila a eles? Evidente que dirá; eu não sou escravo, os que dizem isso são os primeiros a ultrajarem suas máscaras por temerem a si mesmos, por temerem ao eu desconhecido. A ilusão é a prisão desse mundo. Todos vestem máscaras para esconder o eu de si mesmo. Até que ponto sou feliz? Até que ponto minha máscara ancora 100% de todas as pessoas a meu redor? 




Seja sincero. Ao tirar a máscara terá menos amigos, mas estes são os confiáveis e verdadeiros, os eternos. Melhor um amigo verdadeiro que duzentos colegas falsos, mascarados que fingem gostar de sua máscara. Não levamos nenhuma máscara desse mundo, levamos a nossa evolução, nossa consciência, nosso aprendizado sincero de paz e amor. Até que ponto os seres humanos tem a coragem para implementar o arquétipo do herói, visto que cada um deles possui seus defeitos, mas todos são verdadeiros, os falsos heróis são sempre os vilões que no fim tropeçam na própria loucura, a ilusão projetada. Gosta disso ou faz apenas para agradar? Veste aquilo porque gosta ou porque está na moda e temos que agradar a sociedade? Ou será que é ao capitalismo que está agradando? Quantas vezes pensamos com coerência ou com a nossa própria consciência durante o dia? O que te leva a escutar e a não questionar? Faça perguntas a seu eu superior, silencie-se e verá que o véu escuro desse mundo possui um som assustador, é o som dos medos, das fobias humanas, é o som da violência devido à vulnerabilidade, tudo isso é devido à máscara. Até que ponto somos nós mesmos? Deixe que sua voz interior o guie de acordo com o fluxo universal, existe um criador e você tem parte desse gene de luz. O homem pode criar e realizar, mas tudo que é feito na base da mentira e sobre as ilusões da máscara nada será duradouro ou talvez nem sequer vingue, depois não culpe o universo ou as outras pessoas pelo seu fracasso. Por que as coisas dão errado? Será que sua visão é embaçada? Mas aquela voz que você nem se dá conta, ou que diz em sonhos, vozes tidas como intuição, suspeitas, deduções... quem nunca teve nada disso? Isso está dentro de cada ser humano que só usa até 6% (modestamente) da sua cabeça animal. Onde está os 94%? Por trás da máscara. Quem vive de máscaras não precisa do restante das capacidades da mente, pois este não seria um ser de justiça tendo uma máscara e nada que não seja pela paz, justiça e amor não é digno pelo universo de portar capacidades ou dons superiores. Uns ficarão no mundo baixo, a maioria. Outros atirarão suas máscaras ao chão, enxergarão a terra como um corpo vivo, sentirão novas percepções, não irão se acomodar porque terá uma vontade súbita de evolução. O que a sociedade atual nos ensina? Para ser bem sucedido em todos os níveis há a necessidade de construir uma máscara, assim aprendemos e para nós só as crianças habitam a sinceridade, depois se tornam adultos mascarados. E assim temos um ser humano mascarado em um palco social sem escrúpulos com promessas mesquinhas onde o próximo que se dane. É assim que pretende ensinar a seus filhos o convívio e o amor? Se soubessem o que seu mundo representa em outros mundos. Se soubessem que a ajuda ao próximo é algo que temos por tantos séculos e até milhares de anos por seres que não vemos. Se soubessem que tantos seres tiraram suas máscaras e que invisivelmente tentam nos ajudar e nós continuamos a proliferar esse verme mental que se alastra. De qual lado você ficará? Dos criadores ou dos escravos? Não deixe para depois, sinta o universo, ele precisa da sua resposta, colocação e sinceridade, a hora é agora, nada é por mero acaso nem mesmo a sua leitura nesta coluna. O eu, a natureza, o planeta e o universo precisam da sua resposta íntima que emanará uma vibração. Seja positivo, é hora de aprendermos sobre a verdade, e só os fortes aguentarão e só os justos permanecerão, os quais após dar e receber amor terão um mundo novo de acordo com sua evolução, não só da mente quanto aquilo que chamamos de coração. Um mascarado não tem um coração puro, digo que os falsos não tem coração porque não conhecem a si mesmos e a capacidade própria de amar. Você quer ser amado pelo mundo, aceito por ele? Aceite você mesmo e ame-se. Tire a máscara para você mesmo, sem mostrar a alguém, se olhe no espelho sem máscara e se sentirá vulnerável a principio. Pense a respeito e depois saiba que é da fraqueza que flui a força. Ninguém pode ser forte sem conseguir entender a fraqueza. A fraqueza desse mundo é a ilusão, a sombra que a máscara faz deixando esse mundo preso, deixando uma sociedade aprisionada as margens da não aceitação daquilo que somos de fato. O que somos? Quem somos nós? O que sou eu além do ego mesquinho? Esse é o caminho para a verdade e a vida, esse é o caminho para a nova terra, nova esperança onde todos nós seremos criadores. Porque temos aquilo que merecemos, não tema essa é a grande verdade que se esconde por trás das projeções mascaradas que nada são além de ilusões criadas por você mesmo, por medo, por ser fraco e acreditar ignorantemente em uma não aceitação. Então não acredite que o mundo da paz o aceitará, porque as máscaras são sempre traiçoeiras e seu poder é iludir o palhaço escravo que há por trás delas. Reflita até que ponto sua máscara social lhe deu o poder de ser uma marionete, aprisionado por cordas do não conhecimento e aceitação desse fato. Quem não aceita você, é você mesmo, então crie com base na verdade e não tema a verdadeira face de ser um ser humano consciente que recebemos do mundo aquilo que damos a ele. A nossa troca equivalente, que nenhum sistema criado por homens poderia interferir, pois é algo maior que mil máscaras criadas é simplesmente a verdade que nos criou. Pense no eu e converta a sua máscara para um belo rosto de um ser humano digno de ser o construtor da própria vida e da própria realidade. Onde está a sua máscara agora? Até que ponto vive em uma ilusão? Até que ponto se tornou uma marionete da loucura social? Até que ponto está alienado? Mentindo para si mesmo ou tentando um meio para pensar em uma forma de eliminá-la para o encontro da verdade do eu, da vida e da existência humana em forma pura e iluminada. Não minta para si mesmo, o ser mais importante do seu mundo verdadeiro. Não deixe seu eu morrer para dar espaço a uma máscara de futilidades. Eu sou, eu posso criar a verdade e receber o amor como aceitação de tudo que é maravilhoso dentro de meu eu verdadeiro. Conheça-te a ti mesmo! Vale a pena e nunca mais será uma mera marionete infeliz nesse mundo de máscaras sociais impostas por algo que nem sabemos, por que nunca nos questionamos, apenas aceitamos como única condição o que nos foi imposto rigidamente por sermos acomodados.

Letícia de Castro

O Pântano da Morte


Passeando entre as tamareiras, observava o crepúsculo imponente de sua terra, enquanto o sol se punha ao oeste, apresentava no céu a primeira estrela da noite. O céu manchado de azul com alaranjado forte que só a natureza era capaz de produzir. Lugar de beleza esplendorosa para um cenário tão árido e triste. Na relíquia do deserto: O oásis. Lá caminhava um jovem chamado Ammu. Meio homem e meio menino, Ammu continha feições morenas, cabelos e olhos castanhos escuro, cujo brilho tanto do sol como da lua era refletido nitidamente em seu olhar, aonde quer que fosse. Usava botas e calças negras, túnica branca encardida pelo vento misturada ao suor de seus movimentos corporais. Ammu andava contemplando o deserto, pensando no frio que faria em algumas horas e no calor que consumia durante o dia. Pensava em como seria viver em outro país; ele almejava abandonar sua terra, sua nação. Ammu não desejava a tradição da família, não queria andar nas terras secas a vida toda como o pai; um homem do deserto consumido pela idade, sol e cansaço. Perdido entre pensamentos e reflexões de uma mente jovem, implorava para que algum deus lhe tirasse daquele solo fervente.
Uma lágrima escorre, o jovem limpa com as costas da mão, repara novamente no caminho e percebe algo muito estranho. Ammu leva um susto, encontra um largo portão, feito inteiramente de ouro trabalhado que dividia o oásis. Achando lindo e curioso, pois conhecia bem a região, jamais havia reparado naquele lugar, muito menos em um portão brilhante de tamanha proporção. Ammu adentrou os domínios que pareciam coisas de grandes reinados de contos de livros e lendas. Era um gigantesco portal dourado com duas maçanetas escarlates na forma de chacal. Ammu não sabia bem o que era um chacal. Conhecia apenas através dos contos de seu povo. Ao tocar na estranha figura animalesca, o portão se abriu. Havia um longínquo caminho com tamareiras todas iguais, enfileiradas como se fossem duas colunas, formando uma estrada infinita. Para Ammu estava claro que ao entrar deveria seguir o curso daquele único caminho, que se perdia no horizonte. Havia um vento estranho, agradável, sem direção que induzia calmamente á vontade. Ammu desejou muito não voltar para seu povo e seguir o caminho das tamareiras, não importando que terra iria achar. Em um determinado momento ele percebeu que a estrada tinha um fim; porém a infinitude era uma ilusão. Viu um altar gigantesco, onde havia um trono dourado e uma capa solferina que encobria parte do assento. A poltrona sacerdotal continha hieroglifos antigos desenhados nas partes em que seriam para descançar os braços. Poderia ser o trono de algum sacerdote ou quem sabe um sonho interessante de sua imaginação. Percebendo que não havia ninguém ao redor, o jovem aproximou-se curiosamente. Olhou em volta, teve a certeza que o fim do caminho era o trono que ficava acima de três degraus igualmente dourados. Subiu os degraus vagarosamente, olhou para dentro do assento, quase encostando a face... Ammu desejou o poder. Foi quando olhou para “algo sem lembrança”, através do íntimo de seus olhos que reluziam no ouro do trono. No mesmo instante, Ammu foi transportado para outro local, era uma espécie de bosque. Havia entrado em uma realidade incompreensível do mundo; o fim, o término de todas as coisas vivas no universo, a escuridão. Ammu vê então um ponto de luz. Dentro do ponto luminoso havia uma estrada que brotava plantas verdes no chão, era húmido, alegre e extremo do qual ele vivia. Logo, tudo começou a desmoronar como um quebra-cabeça sendo desmontado. Ammu começou a ver a destruição, tudo estava sendo aniquilado e paralisado, um cataclisma, ele observava o fim de todas as coisas belas e puras da terra; os animais, as plantas que ali habitavam. A mata ia sendo engolida pela terra por causa do tremor, o solo não aguentava o falecimento das plantas que eram brutalmente arrancadas, enquanto o bosque desmoronava. A terra gemia em um encalço de dor lastimável e ele a tudo assistia. Como em uma catalepsia Ammu estava fisicamente inerte. Ele via um tipo de monstro metálico que arrancava e triturava as árvores soltando uma fumaça negra através de um tubo incompreensível á sua mente, trazendo o medo, horror e a devastação de um planeta indescritivelmente belo. Percebia que havia vários monstros, os quais movimentavam-se rapidamente como se não tivessem tempo a perder; tempo para causar um estado apocalíptico de profunda exaustão planetária. A terra rugia, as plantas clamavam lamentos de dor, o céu tornou-se empoeirado. Assustadoramente ele lembrou do deserto, sua mente foi dispersando com a poeira que se espalhava, tornando-se um vento incompreensível. Quando a última árvore foi extraída da terra, o céu tornou-se sujo a ponto de ter a sensação que nunca mais o sol voltaria a brilhar, nem o céu ficaria a impressão azul. Tudo foi ficando sujo em fração de segundos e já não era mais poeira, era o vazio. Era negro, não como á noite mas como um escândalo de morte. O assassinato de toda elemental humanidade. O ar tornou-se inerte e a secura tornou-se umidade. Era o frescor pesado da morte. A incapacidade humana naquele momento, havia lhe dado um distúrbio visual em que os raios luminosos partidos de um ponto não se reuniam como deveriam, em um ponto da retina, sendo percebidos difusamente. Como se fosse o último dos seres vivos daquela região inóspita que o planeta havia se transformado.
Ammu recobrou as ações e desembainhou seu corpo a correr, correu na direção de um rio que começava secar ás vezes lentamente, ás vezes em uma pressa absurda, como se não conseguisse mais discernir o que era real em seus sentidos humanos. Ammu achava que era a única criatura ainda viva naquele solo de terra infértil, sem luz e sem ar. O todo se consumia, ia embora a naturalidade do elemento harmonizador. Era escuro, porém ainda podia enxergar o princípio de explosões de rochas vulcânicas. Não querendo desfalecer como o resto da vida que se foi para sempre, tinha a sensação que algo sabia da sua existência e queria condená-lo á morte. Ele sentia medo enquanto corria na direção do rio que secava. Como um corte escuro, Ammu percebeu uma parede de pedra, onde continha uma fenda que era pouco menor que seu corpo. Com dificuldade espremeu o corpo através da fenda. Olhou para trás, tudo era incompreensivelmente apocalíptico, as pedras explodiam como álcool em fogo, era o caos. O jovem olhou para frente e viu que o lado de dentro não era o lado de dentro, mas sim o universo que se transformou em lodo, algo como um charco nauseante e perigoso. A aflição crescia e não sabia mais aonde caminhar, já que andar não era possível, teria que nadar ou arriscar ser agarrado pelas raízes mortas que formavam o lodaçal. Ammu não sabia que estava no pântano das almas, o mundo dos mortos.



O pântano cheirava morte e Ammu via espectros tomando forma de abutres que se alimentavam de almas. O corpo foi ficando pesado, os olhos lacrimejaram tanto que começaram a enxergar melhor no escuro. Percebendo a inércia de todo o corpo e sentidos, não havia mais em Ammu a sensação de ser totalmente humano, talvez pelo fato de estar em um ambiente não humano, terrestre ou material. Como se metade fosse mortal sendo caçado e a outra metade sendo o espírito fugindo da devastação de si mesmo. Tudo era real, não era um sonho ou um pesadelo de altíssimo grau nefasto e psicótico.
Ammu caiu de costas na margem do pântano e as águas turvas que ali pareciam permanecer paradas, fizeram um redemoinho e o levaram ao centro. As águas se agitaram, foi como se sua alma saísse do corpo, ainda que em formato humano, afundando a matéria, mesmo não sabendo se tinha acontecido ou não. O corpo físico havia virado alimento de algum devorador que espreitava o pântano ou viesse a fazer parte da sujeira do charco. Não tinha mais a noção do acontecido. Ele boiou sem noção do tempo. Não existia o tempo naquele lugar. Boiou até chegar em um ponto que parecia menos profundo à sensação. Ele só pensava em sair dali. Após a inércia, Ammu despertou como que vindo de um sonho e se levantou. A água podre atravessava na medida da cintura, parada, pesada e grotesca. Nos galhos espectrais a impressão de habitar coisas temíveis, assim como a ossada de cadáver se decompunha no fundo do pântano da morte. Ammu sentia-se leve, a visão clareava, apesar de ainda haver certos pontos haver névoa de coloração cinza entre o branco e o negro. Quanto mais ele passasse através névoa mais haveria o sentimento de desespero que antecede á morte. Ammu atravessava as brumas cinzentas, percebia que apesar de ter a aparência humana, entretanto acabada, era uma alma, como muito daquelas que deveriam habitar o amargo pântano ceifador.



Enquanto Ammu atravessava a bruma negra, tinha em cada passo, a certeza de que a matéria havia se extinguido no exato momento em que caiu sobre as águas turvas do rio da morte. O pântano era lúgubre, o ar úmido e ardido como a amônia e um misto de enxofre, um labirinto que emanava um vácuo no ambiente frio e fantasmagórico. Ammu sentiu o lodo borbulhando em sua direção. Algo o ameaçava, ele correu com dificuldade entre os escombros do rio, enquanto uma estranha correnteza se opunha á ele. Ammu sentia uma presença, uma forma de força devastadora, desvairada e incognoscível. Não se via o quê ou quem era, vinha das árvores, da água podre, do ar cadavérico, vinha de todos os lugares. Ammu corria com as águas acima do joelho, as botas encharcadas, a roupa suja da tinta negra constituída dos restos mortais. Ammu atravessou a bruma gélida e cortante, quando avistou uma cabana flutuante, algo parecido com palha. Aproximou-se, entrou na cabana e lá só havia ervas frescas como se tivessem sido cortadas por mãos vivamente humanas. Postas de ponta cabeça, amarradas em feixo, juntas, no teto. Com medo sentiu que a presença se aproximava e voltou á saída, havia uma jangada no canto da porta, feita de sete galhos grossos de árvore, amarradas com cipó e um pedaço de tronco para remo, quase um cajado. Ammu pulou na jangada e pôs-se á remar. A água remansa era como um mingau que dificultava as ações braçais com o remo improvisado. Ammu entendeu que para remar era preciso controlar os pensamentos e não mexer o tronco com os braços como faz quando se é mortal. Em lugares inumanos nenhum esforço humano tem efeito e assim o medo o ensinava, a pressa o paralisava, a aflição o anestesiava. Ele podia ver vultos nas margens, nas árvores e em todo o lugar. Ammu olhou para trás, avistou um ser corpulento que não parecia um cadáver como os outros. Tudo era estranho e aparentemente irreal... Assustado, desceu da balsa e se escondeu em um emaranhado de árvores atrás da cabana, afundou o corpo debaixo d'água deixando só a face para fora, viu novamente um corpo grande e forte, três vezes maior em estatura que o seu. Ammu não conseguia ver o rosto da criatura que chegava cada vez mais perto. O jovem afundou completamente no lodaçal, encontrou um buraco em baixo da casa submersa, e, vendo sua única chance de escapar naquele momento de caça e caçador, ele entrou. Era o buraco escuro e primitivo de uma alma perdida.
Ammu recobrou a consciência em um lugar onde não havia água suja, o chão de mármore branco, espelhado como um cristal. Deitado de bruços, gemeu arqueando a cabeça para trás de modo que sua face se erguesse, para poder ter a impressão de ver com os olhos, ao invés de apenas sentir. Com o projeto de corpo um pouco mais pesado que antes, ele via um local mais iluminado, menos pavoroso. Era bonito! Apesar da egrégora lembrar o pântano da morte. Contudo, não era sua terra, a qual ele tinha a certeza que não mais veria. Virando-se perscrutou ao redor e percebeu que haviam árvores e plantas, algumas eram ervas que soltavam perfumes amadeirados. Ammu levantou meio cambaleando, ele sentia uma presença que não o ameaçava. Vinha de uma escada obscura em um ponto do círculo onde ele se encontrava. Deu alguns passos em direção á energia que sentia; era semelhante a um riso. Viu uma sombra vindo em sua direção, a sombra tornou-se um jovem egípcio, um pouco mais velho que ele. A pele era bronzeada em tom moreno com impressão dourada, como algo que parecia suor ou qualquer coisa do gênero que o fazia brilhar como o óleo. Possuía uma tira de pano vermelha na testa e tatuagens indecifráveis. Ammu esperava uma resposta para tantas perguntas enigmáticas. O jovem parou em sua frente, riu e disse telepaticamente, ao menos pensou que fosse, pois os lábios não se moviam como quando pronunciamos algo com as cordas vocais humanas. - Onde pensa que vai? Ele está atrás de você não é? Ammu tentava falar, mas os lábios não mexiam, talvez pelo fato de ser um corpo astral e não uma carapaça de matéria física, humana, composta de átomos e milhões de elementos químicos. Ammu perguntou na esperança de sair dali ou ter uma resposta para suas perguntas misteriosas: - Onde estou? Prontamente o outro jovem respondeu: - Mesmo que pareça muito vago e irreal, eu posso ajudar a dissipar este sentimento de irrealidade se tentar entender que no momento que adentrou o universo pantanoso, você não é mais o mesmo. Ele quer destruí-lo, mas não por inteiro, por uma questão de vibração, de fato não é nada além de uma extensão dos poderes energéticos que emanam de você, e você nem sabe disso. Vivemos todo o tempo rodeados de um vasto oceano de ar e éter misturados, este interpenetrando aquele, como o faz a toda matéria física; e é principalmente por meio das vibrações neste vasto mar de matéria que nos chegam impressões externas. Contudo, tudo isso aqui, passa a ser irreal e insignificante porque não existe matéria e sim a vibração de seu espírito. - Eu estou morto? Perguntou Ammu. - Não está morto, caso estivesse não sairia do pântano, ficaria paralisado lá para sempre afligindo sua alma ao limbo, o pântano se tornaria o mar do inferno com o passar do tempo, você se tornaria uma árvore espectral. -Você mora aqui? O que está aconteceu? Perguntou Ammu. - Metade de mim habita o pântano e outra metade o palácio do grande faraó. Vivemos no deserto de nossas almas, natural que tenha visto o apocalipse e assimilado essa resposta tão incapaz, pelo fato de não obter o entendimento. Antes de perceber tudo, você era apenas um ser consciente de seu físico, um homem, um mortal. Ammu olhou para o seu corpo. Estava descalço com as roupas iguais ao do jovem que encontrou. O jovem disse á Ammu: - Não pode voltar. O mundo que deseja não mais existe. Eu o levarei ao mestre, ele lhe procura. Aqui é apenas o jardim do palácio. O soberano lhe aguarda. - Quem é você? Perguntou Ammu desfalecendo-se por falta de esperança. - Não importa, mas se quer saber pode me chamar de K. Desolado, Ammu o acompanhou. Os dois desceram as escadas, tudo era muito obscuro para Ammu, porém diferente do pântano, existia algo divino em tudo que sentia, sua mente ia se calcificando á medida que descia os degraus para um universo sem fim. Ammu não tinha outra escolha. K levantou a mão direita dizendo: - Sua vibração o irrita, desperta sua ira, acredito que ele deseja transformá-lo. - Não vou! Gritou Ammu tentando fugir. K estalou os dedos e novamente estavam no círculo onde Ammu despertou após chegar do pântano dos espectros. O chão havia se transformado em ouro e havia um sarcófago cravejado de pedras preciosas. A sua frente havia a imagem de um deus da morte e em seus olhos haviam dois rubis. As paredes do palácio eram feitas de mármore negro, as colunas eram de ouro com desenhos antigos e códigos indecifráveis. K se punha de joelhos saudando o sarcófago. Ammu entendeu que deveria fazer o mesmo. Trêmulo de pavor, ajoelhou-se. - Levante-se, disse K. O mestre quer que vá até ele. Ammu levantou suando frio. Aproximou-se contra a própria vontade, em passos que pareciam ser eternos. Olhou dentro da câmara funérea e lá havia um faraó egipcio coberto por um manto fino e escarlate. De repente não havia mais nada além de uma fumaça coberta por um lençol vermelho. Ele olhou para trás procurando K, o jovem havia ido embora pelas obscuras escadas que naquele momento subiam ao invés de descer.
Na frente de Ammu surgiu o sacerdote, ele tinha por volta de dois metros de altura, ombros largos, careca, moreno com rosto ovalado e austero, impondo pavor em quem o olhasse. Envolto em um manto vermelho, usava sandálias douradas, brincos dourados de argolas nas orelhas e na pele havia desenhos vermelhos de serpentes aterradoras. O corpo era rijo, grande e musculoso. O jovem ficou paralisado. Contemplava o interior dos olhos do faraó que pareciam vermelhos como brasa. Ammu viu todo o mal do mundo e dos homens. A mente havia se perdido na confusão da inocência, sendo condenado naquele instante, a viver no pântano. A medida que era atraído pelas pupilas do faraó, Ammu experimentava breves lampejos de dissociação, ou estados superficiais de realidade não comum, logo o irreal tornou-se um estado comum. Durante a iniciação de Ammu, ele ouvia as palavras do faraó através de sua consciência, até a transformação ser completada. - Para mudarmos por completo, é necessário morrer, abandonando todo o passado. Desta forma, estará pronto para o renascimento dentro de um novo caminho, um novo conceito, aquele no qual escolheu ou foi conduzido. Uma vez abandonado o caminho simples da consciência, entra-se em um pântano escuro para a renúncia do eu. Renunciar é o mesmo que morrer. Morrer é o mesmo que transformar-se. Quase sempre nos transformamos naquilo que desejamos no intrínseco do inconsciente.
Assim todas as vibrações indesejáveis da alma de Ammu se diluíram e o jovem tornou-se um iluminado, o pântano da morte é onde as almas se transformam para o renascimento de um novo rei.

Letícia de Castro

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