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domingo, 17 de julho de 2011

A necessidade das coisas externas da ritualística

Vamos abordar aqui a razão da necessidade que temos de utilizar determinados utensílios, peças, roupas, orações, etc. na realização de rituais.
Algumas tradições esotéricas nos informam claramente que o poder criativo que temos está localizado no plano mental, que tudo que existe no universo é regido e pertence à mente e ao mundo das ideias.
A questão é que existem dois planos relativos à mente: o mental inferior e o mental superior. O mental inferior está ligado com o mundo das emoções e suas ilusões. É a mente concreta na qual um mais um é dois e pronto. Ela não permite inovação. Seu funcionamento ideal e perfeito, se não influenciado pelas emoções (o que geralmente é) funcionaria tal qual um potente computador que não falha, mas também não cria nada de novo, nada além do já conhecido. Esta mente não abre espaço para o imponderável, para uma visão diferente da que aprendeu até então. Ela se mostra “cega” para tudo que não possa entender em seu raciocínio analítico, maniqueísta, simples e objetivo. Ela não suporta “insigths” e novos conhecimentos.
Já a mente superior ou abstrata está relacionada com o plano búdico ou da consciência divina. O plano desta mente é o plano causal, onde residem as causas de tudo que ocorre nos planos abaixo de si. É nesta mente que ocorrem as criações, as inovações, as concepções que quebram paradigmas, a iluminação das ideias e a concepção inovadora das coisas. Com esta mente a pessoa vai além do entendimento das coisas, ela chega ao seu cerne e a compreende por completo. Compreender é participar daquilo que é observado, é se unir ao objeto e tornar-se parte dele, tendo a completa concepção e experiência do observado. Ou seja, compreender é ter uma visão clara pelo lado de dentro das coisas e pessoas. Enquanto o mental concreto se limita a definições que encaixotam o conhecimento, o mental abstrato expande sua visão transcendendo os limites das coisas e percebendo não só seu valor extrínseco como também seu valor intrínseco e seus relacionamentos com outras coisas gerando a verdadeira sabedoria. Este mental abstrato abre espaço para o imponderável, para o inovador, para o coletivo, para o abstrato, para aspecto imaginário do número complexo.
Existe um filme interessante que pode nos ajudar a compreender a necessidade que temos das coisas externas em um ritual. Trata-se do filme intitulado “Esfera”, estrelado por Dustin Hoffman, Samuel Ljackson e Sharon Stone. Em resumo, neste filme cientistas encontram no fundo do mar uma esfera que literalmente pode tornar real o que as pessoas estão pensando. Teoricamente isso seria uma maravilha e extremamente útil para toda a humanidade. Mas, a realidade retratada no filme evidencia o que acontece em nossa vida diária: tendemos a pensar somente em coisas ruins, catastróficas, negativas, etc. Psicologicamente falando, nossos medos, traumas, ilusões, etc. é que direcionam nosso pensamento. Ou seja, são as emoções invadindo o mundo da mente concreta. Após muito sofrimento, medo e esforço a tripulação de cientistas chegou à conclusão de que aquela esfera “mágica” deveria ser destruída ou ocultada em definitivo da humanidade porque esta não estava pronta para aquele verdadeiro “presente”, tenha vindo de Deus ou de extraterrestres.
De fato é assim, perceba leitor no que você mais pensa durante o dia todo, todos os dias. O medo geralmente toma nossa mente com pensamentos ruins do tipo: posso não ter dinheiro para pagar as contas, meus filhos podem ficar doentes ou acontecer algum acidente com eles, meu chefe pode me despedir, o governo pode me pegar na “malha fina” do Imposto de Renda, posso ser assaltado a qualquer momento, meu carro pode ser roubado, se chover vou ser pego de surpresa porque estou sem guarda-chuva, sou um pecador e posso ser vítima da cólera de Deus, será que quando eu morrer vou para o Inferno?, etc.. Já pensou se tudo isso se realiza?
Bem, por isso precisamos de coisas externas para “fixar” nossa mente, não deixá-la a mercê de influências psíquicas que possam influenciar negativamente os objetivos e a própria natureza de um ritual ou busca de “sintonia” com a Perfeição ou divindade, tenha ela o nome que tiver.
Aí reside o valor extrínseco das coisas. Por isso é importante o uso de velas, vestimentas, orações, utensílios tais como castiçal, hóstia, espada, cajado, talismãs, tudo que envolve os rituais de todo tipo de profissão de fé.
Quando se faz uma determinada oração, para uma determinada divindade buscando um determinado objetivo utilizam-se coisas materiais, externas à pessoa, que guardem sintonia ou relação com tudo com o qual a pessoa internamente, ou intrinsecamente, está buscando harmonia. O resultado é que a pessoa “vê” e pode tocar materialmente sua vontade e fé materializados. Ou seja, se um pensamento negativo atingir a pessoa ela olha para o altar, por exemplo, e verá lá seu desejo expresso e materializado, sem qualquer alteração ou mudança e assim tem a certeza e segurança de que seus esforços não foram em vão e que seu desejo segue conforme foi originalmente concebido. Enquanto a vela estiver acesa, por exemplo, a pessoa sente como se ela mesma estivesse lá fazendo as orações, em sintonia com a divindade. É uma forma de aumentar o tempo de “concentração mental e postural” da pessoa em relação a um desejo pessoal para com algo de natureza espiritual.
Uma pessoa que não permite que suas emoções afetem sua mente não necessita destes recursos externos para cristalizar e concentrar sua vontade. Mas, quem consegue isso?

A razão e importância dos Rituais e dos Ritos

Falando em termos espirituais, todas as práticas devocionais, sejam religiões ou não, adotam os rituais. Isso ocorre deste tempos remotos, muito antes da chamada “civilização” existir.
Antropologicamente o ser humano concebeu os rituais como forma de memorizar e reviver uma situação de natureza espiritual superior e desejável com o objetivo de regularmente realinhar sua vida com a divindade. O resultado esperado é claramente a evolução espiritual, a paz, a harmonia, a saúde, a vida plena e a iluminação pessoal.
Apesar de ter sido concebido, implementado e praticado por ditos “primitivos” os rituais são na verdade um eficiente recurso tanto de memorização quanto de comunicação em massa de conceitos mitológicos ou doutrinários para pessoas simples e sem conhecimento profundo das bases de suas fés postuladas. Geralmente o ritual retrata passagens importantes da exegese ou cosmogonia relativas à crença professada pela pessoa.
O intuito desta a lembrança, divulgação e uma certa teatralização espiritual é o realinhamento místico com a fonte da vida visto que a vida comum e seus cobranças e pressões tendem a nos desviar dos valores, conceitos e práticas mais elevadas e harmônicas.
Como teatralização o ritual se aproxima muito do conceito moderno do Psicodrama criado por Moreno, uma importante técnica de terapia psicológica de grupo em que os dramas pessoais são descritos pelo paciente e teatralizados pelos outros pacientes com o objetivo de se reviver situações críticas e elaborar psicologicamente melhores formas de se lidar com elas. Os rituais seriam então um Psicodrama mitológico em que aqueles que o assistem revivem regularmente o drama ou situação de relevância para o culto.
O rito é a forma como esta teatralização, este ritual, é executado. Seu conceito então é mais prático, limitado e objetivo. Visa normatizar o ritual, padroniza-lo evitando desvios, alterações, equívocos e até mesmo esquecimento ou variações de natureza pessoal por parte do oficiante. Isso contribui para a perpetuação do rito em benefício tanto da ideia espiritual que expressa quanto das pessoas que dele se beneficiam.
Existem rituais presentes em todas as demonstrações de fé tais como a Umbanda/Candomblé, religiões orientais (Índia, Japão, etc.) e também Católica. Pelo exemplo mais fácil de se presenciar a religião Católica é repleta de rituais sendo que se pode citar com alguns importantes como sendo a Missa, o suplício e morte de Jesus Cristo. Até mesmo as festas do Natal, da Páscoa, as festas Juninas, Corpus Cristi e do Carnaval podem ser consideradas como rituais católicos. Todas estas festas fazem parte do calendário eclesiástico e são calculadas e determinadas pela Igreja Católica, até mesmo o Carnaval.
Mas, estas festas teoricamente católicas foram adotadas pelo catolicismo de antigas e primitivas tradições de cultos que celebravam os ciclos da natureza. A Páscoa, por exemplo, era celebrada como Pessach pelos judeus (êxodo israelense do Egito) e Eostre ou Ostera (“Deusa da Aurora” = planeta Vênus). Também era uma prática habitual a um antigo ritual da deusa Ishtar ou Astarte (da fertilidade).
Os ditos “primitivos” ou “pagãos” de todas as eras realizavam os rituais à natureza e seus ciclos, celebrados principalmente nos equinócios e solstícios[1]. Assim podemos encontrar concordância de rituais entre diversas religiões, com nomes diferentes, mas de conteúdo ou mensagem semelhantes, nestas datas que são geralmente nos dias 22 de março, 22 de junho, 23 de setembro e 21 de dezembro.
O Natal[2], por exemplo, não é reconhecido como a data real e verdadeira de nascimento de Jesus, o Cristo. Conforme o Almanaque Romana o Natal era celebrado pela cristandade primitiva em 336 d.C., mas o dia era 7 de janeiro, hoje Dia dos Reis Magos, que era o dia de seu batismo e epifania. No século IV as igrejas ocidentais passaram a adotar o dia 25 de dezembro para o Natal buscando cristianizar festividades tidas como pagãs. Este dia foi escolhido para coincidir com a festividade romana dedicada ao “nascimento do Sol Invencível” conhecida como Saturnália [3]e que era comemorada entre 17 a 22 de dezembro. Esta data ou período abrigava a troca de presentes e muita alegria, pois se festejava o nascimento do Sol da Virtude, o deus persa Mitra.
Já na antiga religião Wicca (praticada, por exemplo, pelo Mago Merlin do mito do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda) existe a chamada “Roda do Ano[4]” que contempla as Festas Rituais  de Yule em 21 de dezembro, a Festa do Fogo (Noite de Brigit, Candlemas, Imbolc, Oimelc) em 2 de fevereiro, Ostara em 21 de Março, Beltane (Rudemasd, Walpurgisnacht) em 1º de maio, Litha em 21 de junho, Lamas (Lughnasad ou Festa da Colheita) em 1º de agosto, Mabon em 21 de setembro, Samhain ou Halloween em 31 de outubro.

A razão dos Lugares Místicos e Sagrados

Em toda a história da humanidade e até os dias presentes sabe-se da existência de lugares tidos como sagrados que atraem para si infinitas caravanas de fiéis de todo o mundo. Hoje podemos citar, por exemplo: o Muro das Lamentações e a Basílica em Israel, o rio Ganges, o Caminho de São Tiago de Compostela na Espanha, Machu Picchu no Peru, as pirâmides tanto no México quanto no Egito, Roma, a basílica da cidade brasileira de Aparecida do Norte, São Thomé das Letras e muitos outros lugares mais.
Mas, um simples templo também é um lugar sagrado, seja ele da religião que for e é muito importante para seus fiéis.
Todas as coisas têm seu valor intrínseco e também extrínseco. Mircea Eliade, o filósofo e historiador de religiões nos fala sobre a Teofania e a Hierofania em suas obras. Ora, uma coisa, lugar ou pessoa pode sim ser veículo da manifestação divina, o que se denomina Teofania. Por isso as relíquias religiosas são consideradas sagradas, algumas pessoas e mesmo lugares específicos.
No mundo antigo havia festivais religiosos em datas também consideradas sagradas. Estes festivais aconteciam em locais sagrados, muitas vezes construídos especialmente para aquele fim. Este costume remonta de desde antes do Antigo Egito, milhares de anos antes de Jesus, o Cristo.
Conforme Eliade a visitação a um local sagrado simboliza para as pessoas que nele acreditam um forte impacto psíquico de aproximação com o centro, a origem e consequentemente com a Unidade Primordial, Deus. O resultado deste encontro ou reencontro com o Princípio é também o retorno à condição original de pureza, liberdade, limpeza, saúde, felicidade, paz, harmonia, amor incondicional e espiritualidade plena.
Na faina comum de nossa vida tida como “profana” muitas vezes os embates, preocupações, cobranças e pressões nos fazem “sair da linha”, perder o foco, desviar o rumo de uma conduta e objetivos elevados e transcendentes. Então, é preciso uma ação regular de corrigir o rumo, assim como a necessidade de se acertar o relógio, de vez em quando. Assim o objetivo da ida regular aos lugares sagrados é fazer os ajustes necessários em nossa conduta para continuar em nossa determinação de sermos pessoas elevadas, buscando a luz, a evolução e a melhor condição de ser humano pleno de cidadania, distanciando da conduta condenável do egoísmo, da violência, dos vícios, do orgulho, etc..
Então, para quem não crê ou não pertence às religiões, os templos ou lugares sagrados podem nada significar e ao mesmo tempo gerar um grande impacto psíquico em seus crentes. É certo que muitos lugares têm sim uma energia especial e querendo ou não, acreditando ou não a pessoa que lá permanecer por algum tempo acaba vivenciando experiências psíquicas que podem ser interpretadas como coisa estranha, confusa e até mesmo negativa para quem não está preparado.
Ao contrário, se uma pessoa acredita que o lugar é sagrado, se ele realmente apresenta condições especiais de vibração e natureza quântica propícia para estados alterados de consciência (pela interação bioquímica entre o eletromagnetismo local com a bioenergia da pessoa, principalmente a cerebral), isso aliado a um ritual específico que relembre a Origem ou Princípio (que faça a mente se focar em ideias, símbolos, emoções, informações relativas à divindade e nossa condição original no “Paraíso”) em uma data sagrada por sua fé, então certamente a pessoa experimentará seu êxtase pessoal e pode até veicular uma hierofania, a manifestação de Deus no indivíduo.
Existem pesquisas científicas de neurociências que afirmam que uma coisa não precisa acontecer de fato com uma pessoa para que seu cérebro e corpo respondam como se fosse uma realidade imediata e tangível. Nosso corpo reage praticamente de forma igual ante a uma experiência real e a outra relatada por uma pessoa amiga, exibida em um filme ou novela ou ainda lida em um livro. Por exemplo, mesmo sabendo que novela é um drama e que as pessoas reais apenas interpretam papéis fictícios, os telespectadores se emocionam, choram, riem, ficam com raiva estimuladas pela exibição. O mesmo ocorre com filmes de ação, violência, terror, etc.. Da mesma forma acontece quando se ouve uma música religiosa, assiste-se um culto, se faz uma oração.
O que pode ser sonho, fantasia, até delírio para alguns pode ser uma grande, contundente e determinante realidade para outros. Nosso cérebro não distingue o que é fato concreto do que é fato psíquico, para ele tudo é igual. Isso ocorre também com nossas crianças, suas fantasias, medos e ansiedades – não são coisa para se desdenhar ou desmerecer, mas para os adultos respeitarem e administrar como realidade delas.
Por isso é importante que saibamos muito bem o que estamos assistindo, pois isso determina nossa “sintonia” vibracional e a sintonia nos aproxima daquilo com o qual estamos sintonizados. Práticas, pensamentos e emoções equilibrantes nos levam a uma vida mais equilibrada, tranquila, saudável e conforme as Leis Divinas, conforme a Vontade do Pai.

Corpus Cristi e o Esoterismo

As questões de natureza esotérica estão presentes no exotérico, ou seja, o intrínseco está contido no extrínseco, mesmo que não evidente ou explícito, até porque esta é a sua natureza. Da mesma forma as tradições culturais, principalmente as festividades, sejam elas as Festas Juninas, o Natal, a Páscoa, o Carnaval e o Corpus Cristi, mesmo em suas manifestações mais populares guardam princípios de natureza esotérica. Se nos detivermos com atenção e cuidado sobre o estudo das origens destas datas marcantes, encontraremos suas fundamentações em antigas e primitivas tradições iniciáticas.
A celebração de Corpus Cristi (ou Corpo de Cristo) é a festividade que celebra a “presença” real e substancial de Cristo (o “ungido” em grego e “messias” em hebraico) na Eucaristia (do grego “reconhecimento” ou “ação de graças” – celebração em memória da morte e ressurreição de Jesus Cristo).
Todos os feriados eclesiásticos (relativos à igreja), exceto o Natal, são calculados com base na Páscoa, que por sua vez é calculada de acordo com antigas tradições rotuladas como pagãs: o domingo de Páscoa ocorre no primeiro domingo após a primeira Lua Cheia após o Equinócio de Outono (Primavera no Hemisfério Norte); a Sexta-feira da Paixão é a sexta-feira que antecede o Domingo de Páscoa; a Terça-feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa. O Corpus Cristi é celebrado 60 dias após a Páscoa, podendo cair entre 21 e 24 de junho. Vale observar que por volta de 24 de junho (São João) é quando ocorre o Solstício de Inverno (no Hemisfério Sul), grande data marcante de antigos e primitivos festivais rotulados como pagãos.
Esotericamente, os Solstícios e os Equinócios são datas em que o plano espiritual está mais próximo do plano material. É quando estamos mais próximos dos “deuses” ou “anjos”, como queira, ou quando nossas preces são mais fáceis de atingir seus objetivos. Desde tempos imemoriais a humanidade festeja os Solstícios e Equinócios em honra à divindade.
No caso católico, existe um termo teológico para definir esta “manifestação de Cristo” nas duas hóstias que são consagradas (uma é consumida pelos fiéis e a outra permanece na comunidade como símbolo da presença de Deus). Este termo (grego) é a “Teofania” que se traduz por “manifestação de Deus em algum lugar, coisa ou pessoa”. Uma das mais destacadas teofanias relatadas na Bíblia foi quando Deus se manifestou a Moisés exortando-o a liderar a fuga do povo hebreu do Egito, conforme se encontra relatado em Êxodo 3.
O filósofo e historiador de religiões romeno Mircea Eliade cunhou uma palavra para distinguir a ação inspirada pelo divino em contraste com as ações comuns ou “profanas”. Trata-se da Hierofania (do grego “hieros”= sagrado + “faneia”=manifesto). Eliade afirma que o homem moderno tende a viver um mundo dessacralizado, mas que o homem primitivo vivia no mundo sagrado, na privacidade dos objetos sagrados que manifestavam o divino.
Mas, então, qual seria a “vantagem” em se viver ou festejar o divino, mesmo que apenas em algumas datas? Por mais que desejemos o Sagrado, vivemos em um mundo profano, carente deste Sagrado. O “Sagrado” representa o princípio de tudo, a origem, o começo. Então, o Sagrado é a Unidade Primordial, a Fonte da Existência e da Criação. Como Unidade e Princípio o Sagrado traz consigo a harmonia com as Leis Cósmicas, o verdadeiro Amor, a verdadeira Paz, a Luz mais profunda e límpida, imaculada. Ou seja, festejar o Sagrado é buscar de aproximar da Fonte de Saúde, Amor, Paz, Vida, Felicidade e Iluminação. É voltar ao seio do Pai, no colo da Mãe, retornar à condição de pureza virginal e não maculada.
Fernand Schwarz[1] comentando Mircela Eliade afirma sobre a hierofania que: “homem apreende a irrupção do sagrado no mundo e descobre assim a existência "de uma realidade absoluta, o sagrado que transcende este mundo, mas que nele se manifesta e, desse fato, o torna real".”
Conclui-se então, que o objetivo das festas religiosas como a de Corpus Cristi, por mais populares e aparentemente sem vínculos místicos ou maiores repercussões de natureza espiritual, é exatamente, de alguma forma, manifestar para a humanidade o Sagrado no mundo comum e assim trazê-lo à consciência da sociedade e da pessoa com o intuito final de tornar esta realidade espiritual também real no mundo objetivo e inundar a humanidade com seus princípios de paz, harmonia, amor, saúde, consciência, cidadania.

O material x o espiritual

Anteriormente citamos aqui que os Planos Divinos. Bem, vamos aprofundar um pouco mais sobre este tema.
Tudo que está criado, que foi manifestado é natureza e, portanto, é matéria. Mas, dizer que é matéria não significa dizer que é tangível. Na verdade praticamente em tese a matéria não existe. O que existe e é comprovável pelos físicos é a energia. Ou seja, em tese tudo é energia, isso dito tanto pelos místicos quanto pelos físicos modernos.
A “grosso modo” no livro do Gênesis está escrito que se separou a luz das trevas e então o Criador começou a Criação, sendo este Seu primeiro ato. O que é a luz? Fisicamente existem duas teorias para explicá-la: a corpuscular e a ondulatória. Uma considera a luz como uma partícula molecular, ou seja, um “corpo” e a outra considera a luz como sendo um tipo de onda (energia eletromagnética?). A partir desta separação entre a luz e as trevas é que a Criação continuou.
Como partícula, ou corpo molecular, a luz é um fóton que é um elemento menor ainda que o elétron, uma subpartícula atômica. Existem outras como os bósons, mésons, etc.. Curiosamente existem partículas que se locomovem com velocidade acima da velocidade da luz (teoricamente a maior velocidade possível), ou seja, a velocidade taquiônica. Isso seria um milagre? Não, é Física! Bem, mas voltemos à questão da partícula atômica. Uma partícula atômica nada mais é do que energia concentrada. O elétron, por exemplo, somente é um corpo (delimitado) quando está fora do átomo, pois quando está em sua órbita atômica o elétron é uma nuvem de energia. Energia!
Aquilo que pensamos ser a matéria mais dura, impenetrável e sólida é composta 100% por moléculas e estas por átomos. Um átomo, didaticamente falando, é formado por um núcleo que é orbitado por elétrons. Na verdade, segundo a Física, a distância entre o elétron e seu núcleo é algo muito, muito grande. Ou seja, o espaço vazio é enormemente muito maior do que os pequeninos componentes atômicos. É algo semelhante à distância que separa o Sol dos planetas que orbitam à sua volta (sabia que estamos tão longe do Sol que se um dia a luz dele se apagasse de uma vez demoraria oito minutos para ficar escuro aqui na Terra?). O mais importante ainda: a “sensação” que temos de materialidade, de impenetrabilidade, de solidez que percebemos na verdade nada mais é do que uma simples repulsão eletromagnética que ocorre entre as moléculas e átomos (sabe quando dois ímãs se repelem entre si? Algo assim!). Se não houvesse esta repulsão eletromagnética tudo o que conhecemos como matéria seria permeável e perderia sua condição de “tangível”, pois nós já não conseguiríamos mais pegar uma pedra, por exemplo, porque as moléculas que compõem nossa mão não seriam repelidas pelas moléculas e átomos que compõem a pedra e assim uma perpassaria a outra.
Este conceito foi popularmente apresentado ao mundo pelo cinema no filme “O Ponto de Mutação” e mais recentemente no filme “Quem Somos Nós”. Recomendo estas duas obras para que o leitor conheça um pouco mais destas constatações aparentemente espirituais que a nossa ciência acadêmica realizou. Pode-se questionar que a Física Quântica é algo muito profundo, distante da realidade cotidiana das pessoas, etc. e tal. Mas, é incontestável que se fala da realidade em sua última instância. Ou seja, é fato comprovado pela ciência que a realidade em todas as suas possibilidades é formada por energias, pura e simplesmente. Quem quiser contestar isso que conteste então a mais pura e racional das ciências, a Física. Ou seja, uma afirmação que parece e é comum no universo místico espiritual é uma constatação acadêmica. Quem disse que espiritualidade não condiz com ciência?
Na verdade, quando se fala sobre algo, este algo tem suas diversas interpretações, ângulos, etc., mas em primeira e última instância todas as interpretações e ângulos possíveis de abordagem é este mesmo “algo” é só dele mesmo. Ou seja, interpretações, ângulos, versões, visões, leituras, abordagens, etc. não podem ser conflitantes ou excludentes, pois dizem respeito a uma mesma e única manifestação de Deus!
Ora, se você for analisar uma pedra do ponto de vista de um geólogo, de um físico, de um químico, de um místico ou de um poeta estarão todos falando da mesma pedra e não podem estar em conflito. Isso é óbvio. Então, na verdade as ciências e conhecimentos, acadêmicos ou não, são complementares entre si e não excludentes! Não existe o conflito entre matéria e espiritualidade, isso é coisa de nossa compreensão limitada e devido à falta de conhecimentos ou um pouco de vontade de buscá-los.
Dizer então que uma pessoa é materialista e outra espiritualista é algo semelhante a dizer que um médico é ortopedista e outro é psiquiatra. Só isso, um não é melhor nem pior que o outro, significa apenas que cada um está qualificado para ver e estudar o mesmo assunto de ângulos diferentes.

As Leis Cósmicas e os Planos Espirituais

A religião e a ciência concordam que antes da Criação o que existia, se é que se pode dizer assim, era o Caos. A Criação se inicia com o Cosmos, ou Ordem em grego.
O interessante é que esta palavra Ordem tanto significa “organização”, quanto “disciplina” e também “determinação”, “comando”.
Bem, então o Cosmos trouxe organização ao mundo recém-criado. Esta “organização” seguiu uma “Ordem”, uma determinação... de Deus.
As Ordens de Deus têm vida! Não são simplesmente palavras, mas sim seres que vivem para fazer com que a Vontade Dele seja cumprida. São as chamadas Ordens de Anjos (por falta de uma palavra melhor, visto que anjo é apenas a designação de uma destas hierarquias).
As Ordens Divinas (que se iniciam com os Serafins, passam pelos Arcanjos, Potestades, Tronos, Dominações, até os Anjos e Almas Puras) também são conhecidas por Atributos de Deus, visto que cada uma delas tem sua própria característica, universo e modo de ação peculiar. Elas não se confundem nem se misturam entre si. Todas são interdependentes e fazem parte de um só corpo organizado que sustenta a Criação. Cabalística e Teologicamente estas Ordens ou Atributos de Deus são 10 (o mesmo número de dimensões proposto pela Física Quântica através da Teoria das Cordas!). Dentre elas existem as três superiores que formam a Coroa, também relacionadas com o Pai, o Filho e o Espírito Santo que se destacam das outras sete. Estas sete precisam de planos, universos, dimensões, ou como queira chamar, para se manifestarem, existirem e terem ação. Então, juntamente com as Ordens foram criados os planos.
Toda a Criação, então, existe nestes planos que compreendem desde a Manifestação de Deus, no mais elevado da Criação, até o plano físico, o mais denso. A nossa existência também cumpre esta realidade. Temos todos nós a parte divina (“Vós dois deuses e tendes esquecido”) e temos também os chamados corpos sutis existentes em cada um destes sete planos. Os corpos são assim conhecidos esotericamente: 1) Corpo Átmico (ou o espírito propriamente dito, a chama divina de cada pessoa); 2) Corpo Búdico (ou da consciência cósmica, de contato com a alma universal); 3) Corpo Causal, também conhecido por Mental Abstrato (das abstrações, inovações, onde ocorre a união entre o intelecto e a intuição) ou Causal (onde reside o conhecimento das causas das coisas criadas; 4) Corpo Mental Concreto, onde se processa o raciocínio, a sede da razão; 5) Corpo Astral ou “de desejos”, onde residem nossas emoções, sentimentos e projeções fluídicas do magnetismo pessoal também chamado de ectoplasma ou bioenergia; 6) Corpo Etérico, onde ocorrem as reações químicas, universo das energias corpóreas; 7) Corpo Físico, manifestação concreta e tangível da Manifestação.
Então, recapitulando, temos corpos sutis que existem em planos paralelos da Criação. Cada plano está “administrado” por Leis vivas representadas pelas Hierarquias Celestiais chamadas Ordens, que por sua vez representam a vontade de Deus.
Estas “Leis” são chamadas de “cósmicas” porque trazem “Ordem” à Criação. São “celestes” porque tem sua origem no divino.
O conhecimento acerca desta Cosmogonia sempre foi passado para a humanidade, mas sempre careceu de uma abordagem ou apresentação mais “didática” para que fosse compreensível, pelo menos em parte, e assim contribuir para que pudéssemos paulatinamente irmos nos harmonizando com estas Leis e assim atingir a evolução, a paz e a saúde plena. Desta forma o homem primitivo concebeu estas Leis nas diversas mitologias das culturas antigas. Cada qual com o seu prisma peculiar, mas geralmente o conceito é harmônico e coerente entre as culturas e tradições. Mudam os nomes, as formas, mas o ensinamento ou mensagem tende a ser muito semelhante entre as mitologias antigas.
Quando falamos das Leis Cósmicas concebidas pelo homem antigo na forma de Mitologia estamos também aproximando ou “traduzindo” este conhecimento para o mundo da Psicologia, pois falar de mito é falar de arquétipo (conceito da Psicanálise Junguiana). É por isso que existe uma grande, profunda e “secreta” (esotérica) relação entre os Anjos da Justiça Divina, o sangue, o ferro, o deus grego Marte ou Ares e nossa capacidade de ação, conquista, realização, defesa, bem como a ansiedade, a agressividade, a violência, etc.
Talvez o leitor já esteja percebendo como um conceito tão abstrato e elevado como algo de natureza espiritual possa ser aplicado ou aproveitado em nossa vida prática e cotidiana. Ou, o contrário, talvez entenda porque se usam determinados símbolos, ferramentas e cores para se simbolizar um anjo ou entidade espiritual que é o “protetor” de tal ou qual segmento da sociedade.
Apenas para ilustrar o que foi aqui escrito, faça uma relação com o governo de nosso país que tem suas Leis emanadas do Congresso Nacional e que chegam a decidir como deve ser a nossa relação dentro de nossa família, na intimidade do lar dos cidadãos. Percebam que existe uma analogia entre o Presidente da República, os Governadores dos estados e os Prefeitos Municipais, todos representam o poder que executa as Leis, comandam e dirigem o destino da população.

As Leis da Natureza e o Esoterismo

Talvez possamos dizer que a proposta inicial do esoterismo é a harmonia, a harmonia do homem com ele mesmo, com a natureza e com o cosmos. Os conhecimentos oriundos do esoterismo servem para com sua prática atingirmos esta harmonia. Para muitos, a harmonia é a verdadeira Paz, tão propalada e tão fugaz. Para outros, a harmonia é também a verdadeira Felicidade que outros confundem com alegria. A alegria oscila e se alterna com sua contraparte, a tristeza, já a Felicidade é plena, duradoura.
É em função da harmonia do ser humano com a natureza, tanto interna quanto externa, que o esoterismo foi aplicado em suas origens na forma da Medicina. Muitos autores nos informam que quase em sua totalidade as dores, sejam físicas, sejam emocionais, nos advém do nosso afastamento da harmonia com a natureza, seus ciclos e leis.
Ora, se pensarmos que a harmonia com a natureza está diretamente relacionada com a harmonia das leis naturais iremos concluir que os conhecimentos esotéricos não podem ser contrários às mais modernas e atuais constatações das ciências exatas, também chamadas de ciências naturais.
“As ciências naturais estudam o universo, que é entendido como regulado por regras ou leis de origem natural, ou seja, os aspectos físicos e não humanos. Isso inclui os subcampos Astronomia, Biologia, Física, Química, Geografia e Ciências da Terra.”
A Medicina moderna repetidamente se posiciona contra os chamados “chazinhos da vovó”, mas é na natureza que vai procurar a maioria esmagadora dos princípios ativos de seus remédios. Dizem que laboratórios internacionais estão devastando a Amazônia no que tange à biodiversidade, pois além de pegarem esta riqueza natural estão também registrando a propriedade industrial sobre a mesma.
Diversos grupos ditos “primitivos” tinham seus sacerdotes que também eram aqueles que curavam as dores de sua população: druidas, egípcios, astecas e muitos outros. O sacerdote era o mediador entre os mundos divino e humano. Ele ajudava os demais a compreender as questões da vida, das dores da vida, e a resolver a responsabilidade humanas de cuidar de si mesmo. É neste cenário que se apresentam as ciências esotéricas ou também chamadas ciências ocultas. Vale ressaltar que o termo “oculta” não significa em absoluto algo estranho à Luz, à Verdade ou à divindade, pelo contrário, esta dita ciência é totalmente banhada por estes atributos. Aqui o termo “oculta” diz respeito ao conceito de “eso+térico”, do conhecimento dado a conhecer somente aos iniciados, ou seja, oculto aos não iniciados. Somente isso, nada mais.
Muitas vezes não é a ingestão de medicamentos que nos conduzirão à harmonia, mas sim a excreção de substâncias que possam estar prejudicando nosso corpo e saúde, ou nossa psique. Danças, caminhadas, exercícios, yoga e meditação também podem nos facilitar ou acelerar a recuperação da harmonia com a natureza que nos cerca e também com o Cosmos.
Uma vez conversando com uma doutora em Antropologia pela UFMT ela me disse que o feiticeiro da tribo Bakairi (residente lá no Mato Grosso, na cidade de Nobres) quando chamado para ajudar a resolver algum problema sério de saúde ele não chega dando remédios, como se pode pensar. Não, ele vive alguns dias com a família, em sua oca. Participa da vida cotidiana daquela família e só depois de viver um tempo com eles conclui seu diagnóstico sobre o que está causando a desarmonia. Então procede ao tratamento adequado para curar não somente os sintomas, mas principalmente a origem do problema.
Alguns leitores podem achar estranho se falar de uma possível semelhança entre ideias esotéricas e leis da ciência. Ora, considerando-se que as leis cósmicas surgem do Imanifesto, passam pelos diversos planos manifestos até chegar ao físico. Então, não é de se estranhar o fato de que, por exemplo, a conhecida Lei do Carma possa ser considerada semelhante à 3ª Lei de Newton (da ação e reação). Estas duas “leis” assim consideradas dizem respeito ao fato de tudo na Criação tem um preço, uma consequência ou uma reverberação, nada fica impune ou isolado.
Muitos cientistas modernos estão chegando a conclusões que já estão escritos há séculos em códices religiosos. Veja o caso do famoso físico inglês Steve Halking que tem algumas constatações semelhantes a trechos do milenar livro sagrado hindu Bhagavad Gita.
Outro tema da Física moderna que podemos relacionar com os conhecimentos esotéricos é o conceito da Teoria das Cordas na qual existe a possibilidade científica da existência de 10 dimensões. Ora, é o mesmo que se falar dos 10 mundos cabalísticos!
É apenas questão de nomes, conceitos e aplicações diferentes de uma mesma e única realidade! É uma questão de ter olhos para ver.

Afinal, porque se interessar pelo Esoterismo?

A grande maioria das pessoas ainda olha com estranheza e se pergunta: “Mas que coisa é essa de esoterismo? Onde eles pretendem chegar? Para que serve esta ‘coisa’?”. Alguns confundem o esoterismo com religião, outros o tem como um grande apelo usado por charlatães para enganar os menos avisados.
Bem, penso que a humanidade foi criada para ser feliz, se desenvolver e seguir em frente, naturalmente. Mas, lamentavelmente existem seres que por motivos egoístas não querem assim e fazem de tudo para dificultar o crescimento, a liberdade, o desenvolvimento e a consciência dos demais. Isso geralmente tem a ver com o desejo de concentração, aumento e acúmulo de poder.
Neste sentido realmente o esoterismo bate de frente com o poder hegemônico e incomoda demais. Via de regra o poder depende da manutenção da dependência de grandes grupos que lhe outorgam este poder por diversas razões: falta de conhecimento, falta de oportunidade, falta de coragem, falta de iniciativa, comodismo, modismo, etc.. Então, o poder que se alimenta da inconsciência, do medo, da insegurança, do comodismo, da ignorância e da covardia se agiganta e busca alimentar isso tudo combatendo o esoterismo com meias verdades, boatos, maquinações, ironias, brincadeiras, etc.. Ou seja, faz de tudo para desqualifica-lo e convencer as pessoas de que o esoterismo não é algo sério que se deva dar atenção, ou, pior, que é coisa errada, pecado, etc..
A meu ver o melhor que podemos obter com o esoterismo é liberdade de consciência através da formulação de conceitos próprios, conquistar sabedoria, compreensão e nos distanciarmos do fanatismo, dos preconceitos e da injustiça. O conhecimento esotérico, quando bem encaminhado, traz informações muito importantes para as decisões da vida, para a compreensão da existência e o descerramento dos véus que nos cobrem as vistas e nos fazem recorrer em erros.
Entendo que este conhecimento ou compreensão da vida como um todo traz consigo maior paz interior e uma forte tendência para a harmonia da pessoa com o mundo ao seu redor, a começar por aqueles que lhe são mais próximos até a estrela mais distante. Para muitos, esta harmonia e paz interior é um verdadeiro “Paraíso” ou “nirvana” nestes dias de tantos sofrimentos, cobranças, medos, inseguranças e competitividade.
Mas, muitos me perguntarão, isso é prático? Ou só uma questão de fé, uma coisa do tipo “quem sabe um dia se existir vida após a morte e ‘esta coisa funcionar’ talvez possa me ser útil e por via das dúvidas é bom lhe dar um pouco de atenção?”.
O esoterismo fala da vida e a vida é complexa e simples ao mesmo tempo, ela é óbvia e transcendente ao mesmo tempo. Ou seja, o esoterismo é sim extremamente prático e objetivo no dia-a-dia, mas também é transcendente com suas repercussões em planos paralelos daquilo que acontece na realidade tangível cotidiana. Por exemplo: uma pedra é uma pedra, não é mesmo? Pois bem, apesar disso, um geólogo poderá dizer que uma pedra é composta por minerais. Um químico poderá então afirmar que estes minerais são compostos por átomos específicos. Um físico, por sua vez, dirá que em termos de Física Quântica uma pedra é um universo imenso em si mesma, muito além de nossa imaginação. Um cientista com visão sistêmica nos dirá então que uma pedra é somente uma pedra e com isso quer dizer que mesmo em sua infinitude quântica ela não extrapola sua unidade e ao mesmo tempo simplifica o discurso para toda e qualquer conversa ou interlocutor (tenha ele a cultura que tiver).
Esotericamente, por exemplo, podemos analisar uma pedra também de quatro maneiras diferentes: em seu aspecto óbvio e material, em sua potencialidade energética, refletindo sobre a vida (ou movimento atômico) que nela existe e que não é visível e, ainda, sobre sua contextualização espiritual hierárquica. Mas, vale ressaltar que cada análise, seja científica, seja esotérica, é aplicável ou aproveitável em seu contexto, se um geólogo for utilizar a análise quântica da pedra possivelmente nada obterá da mesma e vice-versa. Da mesma forma ocorre com as abordagens de natureza esotérica.
De forma prática, os conhecimentos esotéricos ajudam a humanidade muito antes da Revolução Científica. Foram nas fontes esotéricas que beberam e se desenvolveram todos os conhecimentos relacionados à saúde e à transformação da matéria. Os sacerdotes em todas as culturas antigas eram também os médicos, enquanto que os magos geralmente eram aqueles que orientavam os guerreiros e reis; os alquimistas ensinaram para os demais a arte da metalurgia, por exemplo. Grandes cientistas como Isaac Newton, Albert Einstein e Benjamin Franklin eram estudiosos esoteristas. Hoje a ciência acadêmica se indispõe com o esoterismo, mas em coluna futura abordarei com mais cuidado a questão.

Qual caminho seguir no Esoterismo?

“Esoterismo” é a designação de um conhecimento que só é revelado ao iniciado (“eso” = para dentro). Isso ocorre não porque seja proibido ou mesmo um pecado, mas simplesmente porque não é possível. Por exemplo: por mais que você ame seu filho e queira ensiná-lo a andar de bicicleta ou a nadar, ele só irá aprender de fato quando experimentar a bicicleta ou a piscina, quando se permitir errar até encontrar a forma correta de se equilibrar na bicicleta ou de não afundar na água da piscina, rio, lago ou mar. Geralmente este termo, “esotérico”, diz respeito a conhecimentos experimentados (vividos, sentidos) por pessoas sábias ao longo dos tempos e via de regra são de natureza espiritual. Apesar de ter uma natureza espiritual o esoterismo não é e nem pode ser limitado por uma religião. A religião é dogmática, doutrinária, enquanto que o verdadeiro esoterismo é libertário, sem limites de qualquer espécie. Muitas linhas esotéricas estiveram e ainda estão muito próximas a religiões, principalmente as mais antigas como, por exemplo, o Hermetismo da antiga religião egípcia; a Cabala do Judaísmo; a Teosofia do Hinduísmo e a Alquimia do Tianshidao (“O Caminho dos Mestres Celestiais”) chinês.
Na verdade o conhecimento que antes era reservado apenas a uma reduzida casta de monges preparados teórica e psicologicamente hoje tem sua versão exotérica (“exo” = para fora, ou seja, conhecimento dado aos não iniciados – é apenas uma pequeníssima parcela de uma grande verdade que encobre) explicitada em milhares de livros, encontrados em todos os cantos do planeta.
A pessoa que deseja conhecer o esoterismo hoje se depara com tantas opções que fica praticamente impossível escolher um caminho a seguir. Poucas correntes e místicos adotam uma didática clara e objetiva para orientar o peregrino. Na prática a pessoa fica sem saber se crer em gnomo é tão ou mais importante que crer em disco voador, acender incenso, fazer uma oração, meditar, usar um talismã, fazer uma peregrinação a um local místico ou coisa do gênero.
Como o esoterismo é uma questão de foro íntimo, primeiro eu recomendaria que a pessoa tentasse descobrir com qual tipo de cultura mais tem afinidade: Hindu, Judaica, Nórdica, Egípcia, Grega, Arábica, Chinesa/Japonesa, Inca/Maia/Asteca/Tolteca, Africana ou Mesopotâmica (primitiva). Depois disso, sugiro que utilizando desta ferramenta sensacional que é a Internet procure buscar os conhecimentos mais antigos desta cultura no que se refere ao conceito de cosmogênese ou cosmogonia (A Origem ou Formação do Mundo). Partindo então da Cosmogonia estudam-se a constituição, a ordem e a estrutura do mundo de acordo com aquela concepção ou tradição. Ao longo do desenvolvimento daquela cultura seus sábios certamente foram concebendo detalhes e informações adicionais ao conhecimento espiritual inicial de forma a ampliá-lo e torna-lo mais próximo possível à vida comum. Afinal, todo conhecimento esotérico e espiritual tem por objetivo o desenvolvimento do ser humano, levando-o ao autoconhecimento, ao despertar e à iluminação, seja em que linguagem for. No fundo, todas as linhas esotéricas, em sua origem, buscam contribuir para que o homem descubra a divindade que é em potencial e expressar esta divindade, contribuindo com a Grande Obra de Deus que é a harmonia cósmica.