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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A luta do Bem contra o Mal II

Desde crianças aprendemos a rotular as coisas como “boas” ou “más”. É certo que “didaticamente” fica mais fácil a explicação de certas coisas da vida, mas esta é uma abordagem simplista, reducionista e muito equivocada.
Na vida as coisas são o que são, têm seus valores intrínsecos e extrínsecos originais e não se confundem com outras. Ou seja, dificilmente podem ser rotuladas ou separadas em simples “bom” ou “mal”. Vejamos por exemplo o caso de uma simples faca: ela pode servir para cortar um alimento e também para matar uma pessoa; o caso do fogo: serve para preparar o alimento e também para consumir algo.
Quando se fala em Bem e Mal logo se lembra de questões de natureza espiritual em cujo cenário teoricamente digladiam Deus e o Diabo, Deus personificando o Bem e o Diabo personificando o Mal.
Ora, se pensarmos que o Diabo tem poder para se contrapor a Deus, Este então não é Onipotente porque existe outro ser que não está sob o Seu poder, ou seja, pode tanto quanto Ele. Logo se conclui que então, neste caso, existem dois deuses em igual condição e poder! Ou seja, esta não é uma concepção monoteísta e sim politeísta.
Por outro lado, se considerarmos que Deus criou Tudo que existe, então temos que considerar que Ele criou o homem e a mulher, o macho e a fêmea, a luz e a sombra, o positivo e o negativo, o bem e o mal também. Ele está acima da dicotomina maniqueísta. Ele é a origem e fim, o alfa e o ômega!
A vida e o movimento surge é exatamente da relação entre estes opostos: um homem e uma mulher juntos podem gerar um filho; o polo positivo junto com o negativo pode acender uma lâmpada; o jogo de luz e sombras é que faz uma fotografia ou uma imagem; da opção entre a conduta correta e da incorreta é que surge o valor da virtude.
A Beleza da Vida (um dos atributos de Deus) surge exatamente da interação dos opostos e sua complementariedade, assim como a própria vida manifesta (Deus presente em sua Criação).Se existisse somente a luz nós não conseguiríamos ver nada, o mesmo ocorreria se só existisse as trevas. Um motor ou qualquer equipamento elétrico só funciona na presença conjunta dos polos positivo e negativo.
Então, a expressão “Luta do Bem contra o Mal” é um equívoco imenso que contém uma grave falha de lógica e que prejudica a vida das pessoas, até mesmo em pequenos detalhes cotidianos.
Precisamos compreender que em tudo existe o lado feminino e também o masculino, tal como nos ensina o Zen Budismo com o símbolo do Yin e o Yang.



A dualidade complementar existe em toda a Criação. Uma delas que utilizamos diariamente é a que se apresenta como eletricidade e magnetismo. Uma não existe sem a outra, não é possível dissociá-las e suas ações são complementares. Penso que todos concordamos na utilidade delas, sem a preocupação de separá-las ou utilizá-las isoladamente com preconceitos do tipo “o magnetismo é bom, mas a eletricidade é mal ou ruim”.
Biologicamente todos nós temos tanto os hormônios masculinos quanto os femininos, cada qual na proporção adequada para cada sexo e realizando as funções específicas em nossas vidas. Engana-se o homem que acredita que nada tem de feminino, seja de forma biológica, seja de forma psicológica. O mesmo ocorre com a mulher.
Até mesmo na Matemática podemos encontrar a dualidade expressa nos números complexos nos quais todo número tem seu componente real e também o componente imaginário.
Uma pessoa que não queira utilizar o seu “lado sinistro ou esquerdo” por imaginar que o mesmo possa ser veículo do Mal não jamais um indivíduo, uma pessoa completa e equilibrada. Aliás, falando-se em equilíbrio é importante destacar que para podermos caminhar, por exemplo, precisamos do equilíbrio dinâmico. Ou seja, nos desequilibramos para assim nos deslocarmos com ambas as pernas, de forma equilibrada. Da mesma forma, na vida para nos desenvolvermos, crescermos e evoluirmos precisamos usar e aproveitar todas as nossas características, as ditas “boas” e também as consideradas “ruins”.
Dizem que o casamento é um sacramento justamente pelo fato de, sob a bênção divina, colocar duas pessoas a se lapidarem no atrito diário de suas diferentes personalidades.
Concluindo: não existe conflito ou desavença entre o bem e o mal, se isso existe é porque nós o criamos em prejuízo de nosso próprio equilíbrio e desenvolvimento pessoal.
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