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sexta-feira, 15 de maio de 2015

A crise da fé e da genialidade

Nossa humanidade vive um momento de grande crise para a fé e também em termos de genialidade científica.



Mesmo a religiosidade que hoje temos, possui poucos traços da verdadeira fé. Hoje muito do que vemos em termos religiosos ou é fanatismo ou recurso para se manipular pessoas. Esses são extremos indesejados à verdadeira fé. É a crença cega e inflexível criada por quem friamente manipula conceitos e argumentos morais e religiosos conforme seus próprios interesses.

Ao mesmo tempo os grandes gênios, outrora sempre presentes, estão raros. Por falta de grandes gênios, hoje qualquer pessoa com uma habilidade um pouco acima da média recebe este título, apesar de fato de não o merecer.

Por incrível que possa parecer, existe um ponto em comum nessa carência da verdadeira fé e verdadeira genialidade. “Incrível” porque este ponto em comum está presente na queda de nível e qualidade tanto da fé quanto da ciência, considerados extremos inconciliáveis.



Nossa humanidade vive o ápice do valor ao óbvio, aos resultados imediatos, à concentração de bens, ao prazer individual. A cidadania, a democracia, a fraternidade e a solidariedade são utilizadas apenas como jogo de palavras para se parecer “politicamente correto”, nada mais que isso.



As crianças, cada vez mais, estão sendo desestimuladas a viverem seus sonhos, fantasias e desejos. “Papai Noel e Cia.” são motivos de chacotas, “bullying”, humilhação e isolamento social. Os pais criam as crianças enfatizando os bens de consumo, aquilo que elas podem ter mais e melhor do que seus amiguinhos. O que tem valor e é estimulado são as “coisas” tangíveis, concretas e que beneficiam a própria pessoa.

O imediatismo de resultados concretos sequestra nossas crianças de seus mundos subjetivos e abstratos. Elas nascem com este potencial, mas como sua educação não respeita esta sensibilidade e criatividade, elas aprendem que o que importa para seus pais e para a sociedade são as coisas concretas, tangíveis e imediatas. Nada que seja abstrato lhes é valorizado ou respeitado. Então, nossas crianças crescem egoístas, imediatistas e educadas para serem espertas, para conseguirem levar vantagem em tudo, sobre todos.



Sendo assim, o mundo abstrato, subjetivo, o mundo da criatividade no qual tudo é possível, em que não existem limites óbvios ou intransponíveis, vai perdendo espaço.
A fé é natural ao mundo subjetivo e abstrato. É a crença em algo não explicável, não tangível e que não nos pertence. Pelo contrário, a fé nos conduz à situação de não domínio ou controle, de não possuir o objeto de fé, de submissão mesmo àquilo a que se acredita.

Ora, se as crianças são desestimuladas quanto às suas fantasias e imaginação, quando crescem elas também não ousam se aventurar pelo mundo da fé adulta, afinal temerão sofrer as chacotas e críticas humilhantes assim como sofreram em suas infâncias. Daí pode-se compreender o porquê de nossos adultos não terem mais a fé como existia outrora.



Há quem diga que “a verdadeira fé remove montanhas e opera milagres”, mas isso só irá acreditar como realidade possível quem tem fé mesmo. Na magia aprende-se que o elemento mais importante do ato mágico é não se ter um fio sequer de dúvida de que se conseguirá atingir o objetivo, por mais impossível que possa parecer. A atual mente crítica e questionadora dos “absurdos” da criatividade é frontalmente contra a verdadeira fé. Os mestres ensinam que se podemos imaginar algo é porque este algo é possível. Vejamos, por exemplo, o caso do que era ficção científica há apenas alguns anos e que hoje é realidade.



Por outro lado, números, eletricidade, emoções, pensamentos, fórmulas nada mais são do que “coisas” nada óbvias, tangíveis ou que se possa possuir. Da mesma forma que o imediatismo material bloqueia a criatividade psíquica, ele também bloqueia esta mesma criatividade voltada para a ciência. Afinal, se um cientista não se permite ir além do método científico, das teorias já comprovadas em laboratório, ele será nada menos do quem cientista medíocre, jamais um gênio. Qual o traço comum dos gênios da ciência? Ir além dos limites da ciência de seu tempo, ousar pensar o impensado e o impensável. Assim foi com: Kepler, com Newton, com Leonardo DaVinci, com Beethoven, Jung, Copérnico, Oswaldo Cruz, Louis Pasteur, Einstein, Freud, Alexander Fleming, Steve Jobs, Nikola Tesla, James Lovelock, Jack Parsons, Robert Oppenheimer e muitos outros.



Para se ser um gênio é necessário ousar ir além do que já se sabe e é aprovado, ter coragem de correr o risco de cair no ridículo por acreditar e fazer o que nenhum dos milhares de colegas de profissão acredita ou faz. Ou seja, para se ser gênio há que se ter convicção de algo abstrato, não sabido, talvez impossível. Quando um adulto fará isso se na infância lhe ridicularizarem ideias e conceitos imaginativos?



Com o mundo abstrato aprendemos que existe pelo menos alguma ligação entre tudo que foi criado, em uma visão sistêmica a qual nos conduz à uma plena cidadania ou verdadeiro conceito de fraternidade e solidariedade. Afinal, acessando nossa sensibilidade relativa ao universo subjetivo compreendemos que jamais poderemos ser felizes e nos sentir realizados se houver outras pessoas infelizes, sofrendo ou doentes ao lado.



Nossa sociedade está criando jovens para serem adultos que valorizam apenas o óbvio, o que lhes beneficia diretamente e imediatamente. Nossa sociedade está matando “no ninho” nossos grandes místicos, nossos maiores e verdadeiros gênios, nossos grandes humanitários.



Juarez de Fausto Prestupa e
Letícia de Castro
Academia Ciência Estelar

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