A maioria das pessoas entra na folia do carnaval desconhecendo sua
origem e significado. Deveríamos todos saber sobre a origem das coisas, das
festas, das religiões e de nós mesmos. De onde vem essa grande festa? Já parou
para pensar de onde vem o carnaval?
Aparentemente o
carnaval é um festival que se originou na Grécia em meados dos anos 600 a 520
a.C. Os gregos realizavam seus cultos através dessa festa, um agradecimento aos
deuses pela fertilidade do solo. Mais tarde os gregos e também os romanos
passaram a consumir bebidas, danças e práticas sexuais na festa. Com isso a
festa se tornou “pecaminosa” aos olhos da Igreja católica, sendo condenada até
590 d.C., quando a Igreja mudou este rótulo.
Com o passar do
tempo, a Igreja Católica adotou o carnaval do paganismo (assim como todas as
outras festas; páscoa, natal, festa junina etc). Passando a fazer parte dos
cultos oficiais da igreja, o carnaval era comemorado abolindo os “pecados”,
fugindo da real origem que era a alegria e o culto à fertilidade do solo e suas
conquistas através da colheita na Terra. Em 1545, durante o Concílio de Trento
(também chamado de Concílio da Contrarreforma), o carnaval voltou a ser uma
festa popular.

O Festival do
Carnaval é constituído pelos três dias que antecedem a Quarta-feira de Cinzas,
em que se inicia a abstinência quaresmal daí o nome de Carnaval, «adeus,
carne». Carnaval vem de "Carna Vale" que significa Carne à Vontade.
Para a igreja católica, que adotou o carnaval do paganismo, a palavra carnaval
é originária do latim “carnis levale”, cujo significado é retirar a carne. Para
ela o significado está relacionado com o jejum que deveria ser realizado
durante a quaresma e também com o controle dos prazeres tidos como “mundanos”.
É a despedida da "carne" para a purificação na quaresma. O Carnaval é
definido contando-se 40 dias "para trás" do dia da Páscoa. Quarenta
dias equivale à um ciclo e meio da Lua. Como ela é o símbolo da Natureza
significa que é o tempo para uma reciclagem, o suficiente para uma depuração; e
ainda, que o meio ciclo restante coloca-a em uma posição sempre exatamente oposta
e complementar à que estava no início do ciclo.
Na tradição esotérica
é outra festa importantíssima e necessária. No entanto, houve muitas
degenerações em sua celebração. Sua realização tem o objetivo de saciar as
necessidades da "carne", ou seja, dos instintos físicos e
tridimensionais, e isto é muito diferente da liberação do desejo, que por sua
vez é insaciável. No Carnaval é dado ao homem o direito do desfrute total
daquilo que a Natureza pode oferecer para logo a seguir preparar-se para a
vinda do Pai, para saciar, então o nosso espírito. É necessário este
equilíbrio, pois não estamos no Céu e sim na Terra, somos filhos da Terra. Mas
também somos filhos do Pai, senhor do domínio celeste. Esta saciedade das reais
necessidades de nossa natureza física/emocional deve ser feita de forma a mais
consciente possível, muito distante da paixão, da ilusão, do vício e de tudo
que nos turve a visão do que está ocorrendo e suas consequências.

As associações entre o carnaval e as orgias podem ser de
origem greco-romana, como os bacanais (festas dionisíacas, para os gregos). São
festas dedicadas ao deus do vinho, Baco (ou Dionísio, para os gregos), marcadas
pela embriaguez e pela entrega aos prazeres da carne.
Em Roma existiam as festas Saturnálias e as Lupercálias. As
primeiras ocorriam no solstício de inverno, em dezembro (no hemisfério norte é
o contrário do hemisfério sul) e as segundas, em fevereiro, que seria o mês das
divindades infernais, mas também das purificações. Tais festas duravam dias com
comidas, bebidas e danças. Os papeis sociais também eram invertidos
temporariamente, com os escravos colocando-se nos locais de seus senhores e
estes se colocando no papel de escravos. Durante os carnavais medievais por
volta do século XI, no período fértil para a agricultura, homens jovens que se
fantasiavam de mulheres saíam nas ruas e campos durante algumas noites.
Os povos antigos causavam a inversão do mundo em diferentes
manifestações populares. Deus virava Diabo, homem virava mulher, escravo virava
rei e assim eram as fantasias do carnaval. Em Roma e Veneza, os participantes
usavam a bauta, uma capa com capuz negro que encobria ombros e cabeça, além de
chapéus de três pontas e uma máscara branca. Os assírios também realizavam uma
celebração parecida com o nosso carnaval de rua atual. No mês de março, a
civilização assíria organizava uma festa em tributo à deusa Ísis, divindade de
origem egípcia responsável pela proteção dos navegantes. Os seus participantes costumavam
utilizar máscaras durante uma procissão em que um carro transportava uma
embarcação a ser oferecida para a deusa. No Egito, os rituais eram oferecidos
ao deus Osíris, por ocasião do recuo das águas do rio Nilo.
A quaresma na verdade
é o tempo equivalente em que as pessoas com doenças contagiosas ficavam em
isolamento. Durante esse período, fazia-se a limpeza e a purificação do lugar
onde o doente morava a queimava-se a sua roupa. De início, o isolamento era de
trinta dias a chamava-se trintena, mas ele foi depois aumentado para quarenta
dias a passou a chamar se quarentena ou quaresma, palavra que usamos até os
dias de hoje. Segundo a Igreja católica, o tempo de Quaresma define o período
que Moisés esteve no monte aguardando as tábuas da lei e os dias que Jesus
passou no deserto, orando e jejuando. Por este motivo, exorta-se os fiéis a
obedecer a certos rituais, fazer penitências, dar esmolas, orar e jejuar, tudo
em preparação para a Páscoa, o dia em que se celebra a ressurreição de Cristo.

Segundo o Guinness
Book, o carnaval do Rio de Janeiro está atualmente caracterizado como sendo o
maior Carnaval do mundo, com um número estimado de 2 milhões de pessoas por
dia. Em 1995, o Guinness Book declarou o Galo da Madrugada, da cidade do
Recife, como o maior bloco de carnaval do mundo.

Por Letícia de Castro
Academia Ciência
Estelar